Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Comunicação

Somos sobreviventes de nossas próprias línguas,
Pálidos e secos em busca de um mesmo idioma.

Que nos liberte o som das palavras,
Absortos e entregues... Em comunhão!

Tudo junto num só mesmo ritmo
Em pulsação constante.

... ... ... .... ..... .. . . .. .. .
... .. .. .. . .. .. .. .. . . .... . ..

um faz-de-conta diálogo
através das vibrações

empáticas ou patéticas
conhecimento mútuo aos poucos

Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

De paixões e interesses

Estado semicatatônico neste início de 2009, decepcionado com a nossa espécie que se arroga o direito de se autodenominar "sapiens sapiens"...

(suspiro...)

Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Uma ciência "lùgubre"

Ao longo dos últimos três meses o debate econômico tem ganhado destaque nas páginas de jornal de uma maneira voraz e implacável. Porém, como todo profissional do setor comunicação aprende cedo, o espaço no noticiário é reservado ao inédito e/ou inusitado e não a lugares comuns.

O estopim para esse furor em torno da economia global foi o pedido de falência do banco de investimentos fundado pelos irmãos Lehman há 158 anos. Nos dias subsequentes vimos dezenas de outras instituições financeiras sofrendo o impacto de uma abrupta e generalizada redução do crédito no mundo.

O anúncio da perda de 40 mil vagas em um único mês (dados do CAGED) demonstra que a crise não se limitará apenas ao mercado financeiro ou aos países desenvolvidos. O final de ano que normalmente reservamos para celebrar a confraternização ficou mais triste pela turbulência e incerteza que batem à porta.

Como discutir economia neste contexto? Para muitos, o próprio colapso do sistema global é indício de um grandioso fracasso de todos estes profissionais. Como economista de uma geração mais recente gostaria de contribuir com algumas linhas a respeito da natureza da ciência econômica, suas possibilidades e limites.

Economia é uma ciência social que visa explicar as decisões humanas sujeitas a dados iniciais e restrições. Essa última palavra é a que pauta praticamente tudo o que já se escreveu nesta seara. O mundo apresenta limites, as pessoas possuem uma capacidade de trabalho finita, máquinas tem uma vida útil e produtividade máxima dadas... Sujeito a isso, qual o "melhor" que podemos fazer?

Às vezes pode ser muito simples determinar que algumas escolhas são preferíveis a outras. Infelizmente, a esmagadora maioria dos problemas econômicos resulta em decisões sobre perdas e ganhos coletivos em que as diversas alternativas ditas "eficientes" (na medida em que não desperdiçam recursos) são igualmente defensáveis.

O raciocínio econômico pode nos levar a encruzilhadas morais onde as melhores das intenções podem trazer perdas difíceis de serem antecipadas.

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Dois poemas curtos

== flickr (R) ==

As imagens passam de maneira breve
E deixam seus vestígios subliminares

Em pouco tempo milhares de lembranças
Formam duas torrentes opostas

De um lado a memória e meus sentimentos
Do outro os implacáveis detalhes eternos

Paradoxo e conflito em lacunas inesperadas
Encurralado e rendido no desafio de olhar

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== PROBLEMA ==

A vida é um fenômeno solitário em sua essência.
Por que participar da miséria alheia?
Limitando as múltiplas escolhas a duas apenas,
Defina seus espaços de coexistência e contraponto.

Resposta:_________________________________
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

sublimação do amor (em etapas)

queria te ver morrer feito minha alma gêmea desgarrada,
com todo suplício mútuo, em eterna companhia,
um acalanto a dois, intimista.
...ou talvez um pouco mais...

queria te ver morrer feito pária em família,
para fazer entes queridos sentirem a perda.
ver os lamentos esvaindo dos olhos salgados
e o arrependimento dando lugar ao perdão.
....ou talvez algo além...

queria te ver morrer como farol de seita amistosa,
recebendo o carinho profundo daquelas pessoas
que se mantiveram a uma distância segura,
vítimas de conversas desinteressadas porém fatais.
...ou talvez mais abrangente...

queria te ver falecer vestida de mártir na igreja,
um segundo antes do exército carpideiro ficar a postos,
vítima do lado mais cruel e súbito da natureza.
deixar seu fim antitético em contraponto
a uma vida como tese sóbria e sensata
da existência de um deus criativo e amoroso
ou talvez universal...

queria te ver eterna, levitando alheia a tudo,
diáfana e translúcida, em ritmo de exceção.
vociferando estrofes
(como línguas de fogo manso)
entre acalantos de brandura
(a todas as espécies necessitadas).
fulminando infiéis com um olhar de candor sem cerimônia,
aberta para todos, percebida por quase ninguém --
minha mais querida tragédia humana sem dono...

12.dez.2008 - 03h22min

[esse poema poderia ser enquadrado numa fase de "suturas" afetivas. esporadicamente sinto a necessidade de processar as emoções e sofrimentos do passado de uma maneira que seja saudável. de uma maneira mais orgânica, é como se eu rodasse o "defrag" nessas memórias partidas para deixar a cabeça funcionando melhor. o poema aqui tem um pouco de angústia, um tanto de mágoa, mas não é difícil entender a trajetória evolutiva rumo à sublimação]

Domingo, 26 de Outubro de 2008

Sobre vitórias políticas e eleitorais

O resultado das eleições já está definido: 55 500 votos de vantagem para Paes.

É possível que boa parte dos colegas eleitores do Rio tenha votado no candidato que teve menos votos, então como avaliar o resultado? Será que todo esse esforço para exercer nosso dever cívico foi em vão? Em algumas linhas tentarei argumentar que a resposta a essa última pergunta é um sonoro NÃO...

Sei que de partida já pode parecer "papo de perdedor", mas é importante ter em mente que o processo de votação e apuração é apenas uma de diversas etapas do processo eleitoral (que por sua vez representa um momento muito breve e particular da política mais ampla e sempre presente nas nossas vidas). Pois bem, para não ficar perdendo tempo com filosofias e metafísica, vamos aos fatos...

Afirmo que haverá uma composição entre Paes e Gabeira, ou seja, ambos saem vencedores e os perdedores ficam sendo os políticos do século XX que muito pouco fizeram por essa cidade. A analista da GloboNews aventou a possibilidade de Gabeira ter tido uma "derrota eleitoral e vitória política", então como isso pode ser entendido de uma maneira lógica com argumentos bem definidos?

Na edição de sábado último do ex-blog do atual prefeito colocou-se pela primeira vez uma falha grave no atual mecanismo eleitoral brasileiro: Cada eleitor pode, no mesmo dia, votar em sua seção E justificar o não-voto! O pior de tudo é que, se por um lado o sigilo do voto é inviolável, por outro o registro de eleitores que compareceram às urnas e justificaram ausência é aberto, então o TRE-RJ não deve ter dificuldade em efetuar o cruzamento de dados e mapear os eleitores "atípicos" (ausentes e presentes ao mesmo tempo).

Se houve uma diferença de 55 mil votos, bastam 27500 eleitores "atípicos" para melar o processo (para mais informações sobre eleições meladas, ver Bush X Gore na Flórida em 2000). Se ambas as partes estavam cientes dessa "falha" a priori, poderiam ter mobilizado a militância para explorar essa brecha (seria a estratégia "vote e depois pegue a ponte rio-niterói para justificar") como forma de garantir esse trunfo pós-apuração...

Mas a questão é que colocar o processo sub júdice NÃO é bom para ninguém, pois reduz o grau de legitimidade das urnas e ainda impõe custos para realização de um novo pleito, dando como retorno a administração solitária de um eleitorado profundamente dividido. Portanto, o ótimo para ambos é buscar uma barganha política que resulte no compartilhamento de poder. Notem que com esse raciocínio é possível explicar como uma eleição tão acirrada pode resultar numa transição razoavelmente pacífica, mas é certo que quando houver alguma oportunidade para "desvios unilaterais" rentáveis esse acordo de cavalheiros será rompido e provavelmente veremos na mídia local o reflexo desses movimentos de bastidores através de mensaleiros, sanguessugas e outras novidades do folclore político...

Especulando sobre quando haverá o retorno às hostilidades (i.e. quando o equilíbrio com conluio do jogo repetido dos prisioneiros voltará ao seu resultado estático) acho que a data crítica é 2010, com a costura de acordos se iniciando pra valer em outubro de 2009 (quando os políticos precisam definir qual legenda escolherão para o pleito). Até lá, então...

Sábado, 18 de Outubro de 2008

Inovações Literárias I - Começando do começo

Confissões de um quase morto-vivo - uma não-ficção paradidática

Saudações! Primeiro gostaria de lhe agradecer pelo imenso privilégio que é ter a SUA atenção exclusiva nessa curiosa empreitada literária. Qualquer escritor há de confirmar como é difícil ser lido por outras pessoas, especialmente pelos analfabetos. Então podemos aproveitar o momento para nos comprazer-nos da oportunidade aproveitada para ter acesso a uma educação minimamente razoável e chegar hoje a um momento bastante peculiar em que podemos iniciar essa comunicação por palavras.

Cuidando ainda de alguns finalmentes, anuncio dois postulados básicos que orientam o modus operandi deste autor zumbi: (1) A verdade não tem dono, (2) É conversando que a gente se entende. Na verdade para ser conceitualmente mais preciso, seria interessante partir de (1) e chegar em (2) dando pequenos passos rigorosos e bem definidos, como numa demonstração matemática. Sim, de fato, há outras maneiras mais herméticas de chegar nas mesmas conclusões, mas confiem em mim, pois um sujeito vivo e morto ao mesmo tempo de repente pode ter razões sólidas para argumentar desta maneira em vez de outra. Mas o interessante é que ao considerarmos (1) e (2) torna-se interessante abrir o espaço para interpretações divergentes da realidade e poucas coisas podem ser tão agradáveis quanto o debate. Sendo assim, disponibilizo o endereço do meu sítio virtual . Nos comentários aos posts teremos um fórum adequado para dialogar (se bem que sou suspeito para falar, pois quem manda lá sou eu! hehe)

Feitos os agradecimentos e o marketing pessoal é chegado o momento de dizer exatamente quem sou, o que fiz e tentar satisfazer a clientela da melhor maneira possível...

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Tacada #1 - Identidade

Me chamo Flávio. Pois bem, na verdade como a maioria das pessoas eu tenho um documento de identificação com um monte de outras informações, mas o que importa mesmo é que a maioria das pessoas me conhece como "flávio", puro e simples.

Sou o protagonista e autor destas confissões e sendo assim será necessário explicar meu status de morto-vivo. Notem que essa definição no início pode não fazer lá muito sentido, por isso é bom ter paciência e acreditar no narrador ou então desistir e buscar algo melhor para fazer (pelo que vejo nas livrarias cariocas do início do século XXI, a auto-ajuda continua dominando os mais vendidos). Aqueles com maior quilometragem literária devem naturalmente ter um pouco de ceticismo e podem até fazer a comparação com os meus antepassados, a dupla Brás-Machado. Antes de mais nada, é fácil chegar a um consenso e afirmar categoricamente que a analogia é banal, pois requer uma meia dúzia de bits e um processador vagabundo. Ou seja, um calouro de programação deve ser capaz de, em poucas horas, escrever um código que vasculhe um site como o da amazon.com para separar todos os cem títulos que apresentam a mesma temática central (ouvi dizer outro dia que o Brás fora inspirado num certo Tristram Shandy e achei a acusação de plágio atribuída ao bruxo do Cosme Velho absurdamente pueril). Mas deixemos os apartes de lado.

Há uma vasta gama de trabalhos que têm como foco vida e morte. E isso tem uma explicação bastante simples. Nós vivemos, um dia morreremos e temos quase que uma compulsão por partilhar histórias. E só. Se no ano do centenário da morte de Machado de Assis aproveitamos essa oportunidade para relê-lo e descobrimos que anos antes um certo Laurence Sterne inventara um narrador galhofeiro e descompromissado (pois morto se encontra) não vejo motivo para pânico. O lugarzinho dele entre os grandes seres humanos brasileiros está garantido e eu aposto que meus bisnetos acompanharão as festividades do segundo centenário de sua morte em 2108, confirmando mais uma vez o que as suspeitas do próprio escritor das Memórias Póstumas: "É só escrever uns livrinhos aí, assinar tudo, depois fundar uma ABL (que nem a de Paris) e pronto! mais dia menos dia viro imortal... Bela idéia, Machado... Bela idéia, meu caro..."

Como diz o subtítulo, esta obra é uma "não-ficção", portanto não pretendo perder tempo fazendo ilações a respeito dos pensamentos íntimos de autores mestiços e subdesenvolvidos de 1800 e tal. Prefiro focar na minha verdade particular enquanto sujeito mestiço e subdesenvolvido do novo milênio... Então voltemos à discussão inicial do que vem a ser um "morto-vivo".

Definição 1
vivo - característica peculiar àquilo que possui capacidades cognitivas e que segue uma trajetória com um ponto inicial (nascimento) e um terminal (morte).

Definição 2
morto - o não-vivo.

Parece meio óbvio, mas é bom que seja assim, pois com definições concisas e claras a gente ainda pode ir muito longe. A maioria dos leitores que não teve acesso a uma formação menos humana e mais exata provavelmente não faz a menor idéia do que é uma derivada, então prefiro dar uma intuição básica e depois deixo algumas referêlncias básicas ao final deste raciocínio (o vídeo do YouTube é ótimo...). A derivada é uma informação resumida de uma função matemática. Considere então um automóvel que segue uma trajetória ao longo do tempo que podemos descrever por meio de uma função c(t), com t variando de 0 a T (lê-se "de zero a tê maiúsculo" e não "tesão", isso é matemática, seus pervertidos!). O que importa é que a tal da derivada é um jeito que eu tenho de ter alguma idéia da cara dessa tal função, quando ela for desconhecida. Considere um problema onde é dado o ponto de partida, o ponto de chegada e uma velocidade constante. A velocidade é a derivada de c(t) no contexto automobilístico acima. O grande barato da matemática não é simplesmente fazer um monte de contas, mas tentar representar fenômenos os mais variados de um modo elegante, simples e conciso (é um ramo do conhecimento bastante minimalista).

Se afirmo que sou um morto-vivo é porque acredito que ao longo da minha trajetória pessoal de vida, passei por diversos episódios onde a morte foi a protagonista. E a minha estratégia de sobrevivência basicamente foi "matar a morte e dissecar seu cadáver com muita atenção e respeito". Um título alternativo seria "Lições de anatomia das muitas mortes do flávio", mas convenhamos, seria ainda mais umbigocêntrico do que já é...

Tacada #2 - Bibliografia
Tacada #3 - Machadadas no fio da navalha
Tacada #4 - Copidescando a Loucura Sativa da Donzela Poética
Tacada #5 - São José dos Manos
Tacada #6 - Uma fundação para honrar suicidas
Tacada #7 - Mistérios de Minas
Tacada #8 - Política (de todos e de quase ninguém)
Tacada #9 - Economíadas e o desvario de ciências sociais
Tacada #10 - Sobre guerras e crises (ou O Espólio de Aquiles)
Tacada #11 - O desfecho da ressurreição para a imortalidade


(obs: essa estrutura seria a linha mestra da obra, sujeita a mudanças e adições com o passar do tempo)

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

deixe-se acreditar -- mombojó

composição: felipe s. e china

eu quero um samba pra me aquecer
quero algo pra beber, quero você
peça tudo que quiser
quantos sambas agüentar dançar
mas não esqueça do nosso trato
da hora de parar
só vamos embora quando tudo terminar
eu vou te levar aonde você quer chegar
eu tenho a chave nada impede a vida acontecer
deixe-se acreditar
nada vai te acontecer
tudo pode ser
nada vai te acontecer, não tema
esse é o reino da alegria


aos leitores: a letra de uma musiquinha pop bacana que também tem serve como cantada diferente na balada para alguma moça já conhecida (isso dá pra inferir por "não esqueça do nosso trato"... qualquer sujeito minimamente esclarecido que já tentou lançar um 'xaveco' sabe que o desfecho não tarda a chegar...

Sábado, 30 de Agosto de 2008

"Que seja infinito enquanto dure..."

Hei de me perder mais uma vez entre amores e desvarios,
Como antes me entreguei por completo à submissão insana

Novamente me vejo absorto em pensamentos e solidão,
Embora tente afirmar o meu progresso particular.

A verdade é que não controlo a intensidade após o trauma
E quero muito muito viver novas histórias e emoções.

A entrega por completo parece inédita,
Mas a vivência de outrora me dogmatiza.

Pareço ranzinza, ora ansioso,
Desesperado pela entrega tua.

Antecipo à vítima um compromisso mais puro
Que passa por rimas, carinho e sedução.

Que sentido há em buscar o autodeleite?
Quantos absurdos há na minha opinião?

Não, não quero uma cópia,
Procuro novidades benfazejas
E a inteira união para sempre
Que agüentar.


aos leitores: esse é um dos poemas mais importante da minha breve obra... pessoalmente acho que sintetizei um monte de experiências e frustrações numa declaração de amor com um quê de indiferença, mas a verdade é que tudo que a gente faz está sujeito à avaliação de vocês (leitores). então se a leitura for diferente do que coloquei no início desta ruminação, não há nada que possa fazer...

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Táxi Legal

Esse post é curto e representa minha luta por direitos autorais.
Acredito que o Táxi Legal tem um imenso potencial para melhorar o trânsito carioca.

Com o tempo veremos algumas mudanças significativas na forma que o município atende a demanda por transporte ponto-a-ponto. E até lá já teremos discutido a fundo as necessárias mudanças para atingir um estágio de urbanidade mais evoluída...


aos leitores: essa história de táxis teve um desenvolvimento inusitado... inicialmente constatei um problema grave no trânsito carioca... como qualquer cientista social digno de nota comecei a observar o fenômeno "engarrafamento" e cheguei a uma estimativa "de padeiro" que colocava o percentual de táxis em botafogo como sendo aproximadamente igual a 30% da "população" de veículos parados. após essa simples constatação tentei convencer algum colega meu economista a estabelecer uma parceria, mas todos estavam muito ocupados ou não tinham "saco" pra essa história de trânsito. confesso que isso me frustrou, pois o trânsito é um "bem público" (aos leitores não-economistas: a terminologia adotada é específica às áreas de economia e estatística), ou seja, melhorar o trânsito melhoraria a vida de todos... depois segui uma trajetória exótica tentando extrapolar as amenidades urbanas a algo mais abrangente que deu luz a um projetinho de tese que me parece ser absurdamente interessante... mas sei lá... quem se importa? táxi é coisa de rico...... =P

Escolha sob Incerteza

I

Engraçado como as pessoas se esbarram.
Uma hora a gente é senhor de si com
Bastante autoridade
Para logo em seguida descobrir
Quanto que já está revelado.

Transgredi os limites da razão,
Vejo o que fôra oculto,
Com puro interesse
E fascinação

Façamos odes à realidade!
E que se viva a surpresa
Em contradição:

"Como é possível tantas miradas
Sem sequer desconfiar
Que estiveste em Trindade!?"

II

Olha só que peculiar coincidência!
Estava pensando em datas a esmo
E em como uma dessas pode calhar de ser
Bem mais próxima de outra qualquer
(Desencontrada...)

A primeira quarta de julho foi dia dois,
E na quinta de manhã pude te ver,
Já pela noite estava no pior pesadelo,
Para logo na segunda te reencontrar

E tudo seguir, como no instante
Em que pude ver algumas fotos
E reparar nas legendas:
Mananciais de informação preciosa
Acompanhada de um delicioso bom humor.

Desvendar, descobrir, saber...
Quem diria...

Trindade...

(Até terça!)

à leitora (se não for essa pessoa específica isso aqui não fará muito sentido): um poeminha que era pra ser inocente... apenas uma constatação de semelhanças que antes eram desconhecidas... espero não lhe ter feito mal... caso contrário, deixo aqui meus mais sinceros pedidos de desculpas...

Domingo, 10 de Agosto de 2008

Inquérito -- Dia dos pais

"Quadra 8 tumúlo 9 , cemitério Vila morais , segundo domingo de agosto , dia dos Pais"
(Naquele dia mais uma vez , fui tentar da um abraço no meu pai , sei lá , pode parecer loucura, abraçar quem já morreu mais ... só quem perdeu pra saber a falta que faz , de um pai ).

Meti uma peita preta vesti uma lupa escura
Juntei uns Troco pra floricultura.
Queria te dar outro presente Oh Pai uma beca
Uma camisa do timão um cd sei lá , do Zeca.
Mais fazer o que né?
O senhor que escolheu, preferiu o crime do que a
Familia e deu no que deu.
Pôs no peito dos gambezinho medalha de bronze
Passou a fazer aniversário 2/11.
Meteu os ferro roubou que roubou até umas hora , hein !!!
E onde você tá morando agora?
A 7 palmos longe da mãe de mim e da Roberta
Quando alguém pergunta do pai na escola ela Desconversa .
Se alguém ganhou nessa história foi só seu Advogado
Nóis continua morando num quartinho alugado.
E a mãe não teve estômago pra vir te visitar
Nunca mais foi a mesma depois que cê mudou pra cá.
E tem pesadelo vê vulto direto só consegue dormir tomando
Remédio.
Vive com a frase do pm no ouvido
(É minha senhora melhor uma Viúva do que mais um bandido).

[Refrão:2x]
Eu trouxe seu presente pai é um buquê de flores,
E agora o que que eu faço , eu só queria era poder te dar
um abraço.

Seus parceiro de ação nunca te abandonaram
Até no cemitério te acompanharam.
Tá lembrado do neguinho pilotão de fuga
Tá aí do teu lado ó em outra sepultura .
E aquele mano que era catador Linha de frente
Tá enterrado numa cova logo ali na frente.
Quem não entrou pra quadrilha dos finado
Tá tirando 10 no fechado do são bernardo.
cê foi baleado Lembra?
Fiquei com cê a noite inteira
Nenhum parceiro veio dá uma de Enfermeira .
Só que quando eu mais precisei cadê? cê não tava
Com 13 anos eu virei o homem da casa .
A mãe sofrendo Doente Vivia em hospital
Larguei a escola pra vender sorvete no Taquaral.
É ... cada lembrança é uma lágrima que cai
Mó saudade, mó saudade do meu pai.

[Refrão:2x]
Eu trouxe seu presente pai é um buquê de flores,
E agora o que que eu faço , eu só queria era poder te dar
um abraço.

A mãe tá indo no culto todo domingo
Graças a Deus , acho que se não fosse isso ela já tinha enlouquecido .
Roberta tá moça cresceu que é uma beleza
Já tá até cantando no coral da igreja.
Hoje quando eu te vejo nas fotos em cima do rack
Vivo , positivo , só que nos negativo da kodak .
Lembro do tempo que cê vivia com nós , cê sorria
Mais aí alegria apagou mais rápido que um flash de Fotografia.
E o mesmo crime que te levou por dinheiro Ilusão
Veio te devolve num caixão com flor e algodão.
Olha desculpa se eu falei demais , se eu pesei , fui além
É que eu precisava desabafa com alguém .
Já deu minha hora pai deixa eu ir
cê nunca escutou ninguém e não é Agora que vai me ouvir .
Quem sabe um dia nóis se Tromba nem que seja sonhando
Pra mim te dar o abraço que ficou faltando.

[Refrão:3x]
Eu trouxe seu presente pai é um buquê de flores,
E agora o que que eu faço , eu só queria era poder te dar
um abraço.

(É ... eu acho que , a vida do crime , é que nem a dessas flores que eu te trouxe ...No começo parece que vai ser linda sempre , derepente morre , desmancha , só fica os espinhos ... acho que , os espinhos é que nem a saudade , que fica machucando agente , arranhando a nossa memória ... É pai mais um ano sem você , mais um dia dos pais , sem pais , sem pai , só saudade.)


aos leitores: tem gente que tem pai legal (meu caso), tem gente que sofre mais com a figura paterna, ou acaba ignorando sua existência... esse rap ganhou o Prêmio Hutuz 2006 de melhor som do ano (e foi merecido na minha opinião..)

Inquérito -- É Gol!

Composição: Renan / Macari / Pop Black

A vida é como futebol certeza
Cada minuto uma caixinha de surpresa
Não é de hoje que a gente entra perdendo
E consegue virar o jogo no segundo tempo
Tem que vestir a camisa até fora de campo
Pra não fica na reserva esquentando banco
Jogo é jogo mata, mata
Ou cê sai com a medalha ou em cima da maca
Deus tá comigo não tô impedido vou indo
Corro não canso só paro nos 45
Primeira divisão um segundo é pouco irmão
Ninguém quer ser vice-campeão
Ninguém dá nada pra nóis de mão beijada
Por isso é mais gostoso ganhar de virada
É, e o ditado não erra
Os melhor jogador saiu dos campinho de terra

É gol deixa a bola rolar
É gol ninguém vai me parar
É gol meu time vai ganhar

É gol! quando a torcida grita no show
É gol! quando a rede balança mano
É gol! quando o meu time joga eu vou
É gol, é gol, é gol!
Fora do jogo vários parceiros
Que o juiz lá em cima deu o cartão vermelho
Não jogaram direito pisaram na bola, tão fora
E agora não rola querer entrar de sola
Olho no lance muita calma nessa hora
Simbora a torcida tá de olho em você
Lá fora não adianta se esconder
Nem todo dia ela vai tá do seu lado
Tem dia que ela mais parece adversário
Tem dia que é melhor nem sair do vestiário
Olha só o gol que eu fiz
A torcida tá feliz
Mas não vacila não
Só comemora quando a taça tiver na sua mão

Refrão

Eu vou passar, fintar, pedalar
Eu quero ver a torcida gritar: gol!
Ficou pra trás agora jaz
Jogada de efeito é pra quem pode mais
Eu vou passar, fintar, pedalar
Eu quero ver a torcida gritar: gol!
Furo a retranca quebro a banca
Ta lá, não adianta chorar


aos leitores: 2008 tá se mostrando um EXCELENTE ano do ponto de vista musical (pelo menos eu tou gostando muito dos lançamentos até o momento)... "um segundo é pouco" parece ser um álbum e tanto! ah, e essa musiquinha consegue simplesmente ser uma das melhores a lidar com essa paixão nacional que é o futebol...

Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

A conversa (que não houve)

Já se perguntou, amiga, o que aqui fazemos?
Nesse telhado, de frente para o luar,
E os espaços infinitos entre as estrelas,
E os espaços finitos entre todos nós...
Já se perguntou, alguma vez,
O que será que estamos a observar?

Se dias e noites de transeuntes da cidade,
Ou noites e dias de gatos a pular, telha a telha,
Nos lençóis da madrugada.
Onde não existe tempo, não existe idade,
Mas somente a brisa noturna
A acalentar toda alma soturna...

Será que importa o preço do barril?
A nova tendência da moda praia?
O novo artilheiro da vázea?
Será que tudo não passa de uma grande brincadeira?
Ardil de anjos arteiros
Que mesmo nas noites de luar
Gargalham, incontroláveis, até a alegria findar?

E quem cai na armadilha de acreditar
Que somos apenas cidadãos de tal nação,
Trabalhadores orgulhosos de tal corporação,
Fiéis de alguma ou qualquer religião...
Espera sempre pelo céu que há no porvir,
Mas nunca, nunca se prepara,
Para qualquer frustração que há de vir...

Será que existe o telhado?
Será que existe essa conversa?
Será que existem gatos a pular?
Ou, antes de tudo isso,
Existem amigos, e amizades,
Existem seres conscientes de si,
E consciências etéreas, esvoaçantes...
Indetectáveis senão pelo amor, e pela dor,
De observar ao mais belo luar
Sem ter minha amiga para conversar?

raph'08




aos leitores: já já vai virar rotina... chega o dia 31 de julho e eu acabo lembrando de uma parte importante da minha formação como "sujeito-homem"... o que eu tinha pra escrever sobre a moça do retrato acima já está escrito... então abri espaço para um convidado muito especial... Raph Arrais foi um grande amigo dela, além de ter sensibilidade o bastante para escrever um poema num formato que seria difícil para mim...

Domingo, 27 de Julho de 2008

Innocent bystander

Aspirando a fumaça equivocada,
Fechado em copas, de soslaio
Observo trajetórias alheias
Agrido pessas a esmo
Me viro com melancolia

Seguimos perdidos
Á toa
Contando salários
e years.

"É o acumulado no ano....
Federal withholding
Menos uns dez por cento,
Deve ser a retenção na fonte."

(silêncio)

aos leitores: esse é daqueles poemas que meus colegas odiavam nos tempos de colégio... é bastante hermético e cheio das complicações para dificultar a compreensão... um bom começo que é estragado pelo final.

Domingo, 13 de Julho de 2008

Sobre os Caídos

O orgulho um tanto ferido quanto manchado.
A análise minuciosa do sabor de asfalto.

Uma confusão de dor, vergonha,
Parálise, contato e desonra.

Verdades fraturadas e reconstruídas,
Parcialmente atadas, em ruína.

Filosofando em compulsório repouso,
Revestido de embuste e rima,
Armando um jogo mental furioso
Forjado de bipolaridade cretina.

(incompleto?)


aos leitores: faz parte da fase 'estabaco' deste q vos escreve. a tentativa de rimas vocálicas não ficou tão ruim assim...

Manual de Instrução para Quedas

O primeiro passo
Pode ser o bastante.
As evidências acumuladas,
Entretanto,
Registram sucessivos deslocamentos
Até a definição.

Uma pedra no caminho,
A falta de atrito
No terreno acidentado,
Qualquer canelada rasteira
Com seu dolo eventual,
Ou uma casca de banana
Anedótica.

Lugares comuns são estopim
Que suscita a partida sem volta.
Imediatamente registra-se a
Suspensão do descrédito,
Ciência do encontro inesperado
Por vir.

Tombos e estabacos
Habitam um mundo de resultados
Pré-determinados e destino.
A depender das circunstâncias,
Resistir ou contestar será
Em vão.

Após a surpresa constatada,
É preciso aceitar submisso, pois
Existe apenas uma breve janela
para minorar os danos futuros.
Os milissegundos em questão
Permitem somente espasmos
Reacionários.

Durante a próxima etapa
O único papel cabível é o
De espectador privilegiado,
Testemunha ocular do súbito
Rebaixamento de bípede a ser
Rastejante.

Curioso perceber a cronologia
Das sensações invertendo a ordem
E o fato da dor ganhar destaque bem depois de
Um beijo no asfalto.

Uma queda mais ambiciosa
Traz sofrimento crescente e adota
Sutilezas, como os pontos de
Impacto coadjuvantes, onde (aí sim) revela
Pleno potencial.

Pode-se questionar
Equívocos de instante
Ou pensar nas seqüelas a prazo.
Amarras que atam outrora e adiante:
O verdadeiro suplício.

aos leitores: fase 'estabaco'... umas imagens interessantes, uma perspectiva temporal... enfim, são as coisas que me interessam quando paro na frente do teclado pra escrever... até que não ficou tão ruim...

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Seguro de Vida

Antes de mais nada, cumpre observar que este espaço é um lugar para os meus textos pessoais, refletindo portanto a minha opinião, única e exclusivamente. Aqui sou rei e mando e desmando conforme bem entender.

Agora, esses bits e bytes que eternizam meus pensamentos vêm com data marcada indicando exatamente quando foi o instante em que cada coisa foi publicada. Publicar em um blog não é algo imutável, decerto, mas basta deixar tudo quieto por aqui que no final teremos um documento armazenado nos mainframes da Google, confirmando que tais e tais palavras foram registradas em tal dia e tal hora.

Então, se eu faço um breve interlúdio no ritmo das poesias para explicar esses trâmites legais é somente para escrever um seguro de vida no lugar de testamento. Engraçado, né? O melhor lugar para expor acaba sendo o mais universal, pois aqui posso extravasar e descrever fatos com a riqueza de detalhes enorme. Logicamente, é preciso ter responsabilidade perante os fatos para não cair em perjúrio... Segue então uma peça que carinhosamente batizei de O TESTEMUNHO DA VÍTIMA (nomes modificados para evitar o comprometimento dos envolvidos, antes da hora necessária):

+ Fato 1: Conforme o recibo do cartão de débito (Prova 1) às 22h53min da Quinta-Feira, dia 3 de julho de 2008, a vítima pagou a conta em um bar (CABRITO AZUL) localizado no bairro de Botafogo.

+ Fato 2: De acordo com testemunho de um gerente do referido estabelecimento, havia uma preocupação a respeito do bem-estar da vítima e de sua capacidade de voltar para casa sem se acidentar. Também de acordo com o dito gerente, ao sair do bar uma viatura policial passou em frente e parou para averiguar a situação.

+ Fato 3: Após assegurar o gerente de que a vítima seria interpelada para garantir a sua própria segurança, o Sargento HEMATOMAS a abordou acompanhado de mais um elemento, que a imobilizou e a levou a uma localidade então indeterminada onde foi segura junto a uma maca hospitalar, enquanto o referido Sargento esvaziava seus bolsos (Após investigação posterior, confirmou-se que o local do incidente fora a garagem de serviço do Hospital SARRACENO, nas imediações).

+ Fato 4: Após a vítima demonstrar ciência do nome em sua farda de serviço, o referido Sargento alterou seu procedimento, buscando caneta e papel para anotar informações relevantes à rotina da vítima (CPF, RG, local de trabalho), retornando todos os documentos à carteira (Favor referir Prova 2 - camiseta marcada por traços de uma caneta esferográfica azul).

+ Fato 5: Como forma de demonstrar que a ameaça ao bem-estar futuro da vítima era real, o Sargento pegou a muleta de apoio que a vítima portava e golpeou diversas vezes o chão, até que ela se quebrasse (Ver Prova 3).

+ Fato 6: Em seguida a vítima foi libertada, tendo sido retornadas sua carteira e os dois pedaços da muleta. Acredita-se que os elementos tenham mantido consigo o celular Siemens C72 e uma pequena quantia em dinheiro que estava na carteira (por volta de R$30).

Após esse incidente a vítima regressou ao seu domicílio.

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Afinal de contas, pra quê serve esse texto? Acho que o principal problema disso tudo é saber como a vítima pode continuar com a sua rotina e enfrentar esse trauma lastimável. Provavelmente seria uma boa idéia registrar tudo isso o quanto antes em uma mídia que servisse de prova documental de que essas coisas ACONTECERAM sim. Para além de BOs, de denuncismo discado e anônimo, acho que o essencial é colocar o máximo de informações sobre isso o mais rápido possível, de modo que, se qualquer ameaça se concretizar, será possível voltar para bem perto da data em questão e mostrar tudo que já estava lá (violência, ameaça, etc.). Pois, francamente, acredito que essa tal vítima não tenha perdido muito tempo de sua vida tendo contato com bares, hospitais e policiais, a ponto de ser possível tecer qualquer trama sórdida e desabonadora a seu respeito.

E se acontecer um acidente urbano desses que marcam a tragédia do nosso dia-a-dia (atropelamento, latrocínio, bala perdida)? Bom, mais uma vez teremos essas palavras escritas para determinar um ponto de partida para uma investigação realmente profissional. E neste caso, a depender da gravidade do dano, não haverá nada mais a fazer além disso. E que a força da justiça recaia sobre os culpados!


aos leitores: um testemunho sobre um episódio exótico acontecido poucos dias antes deste post ser escrito. foi um jeito de exorcizar o trauma o quanto antes e não ficar achando que a vida é cheia de bicho-papão... (não tem muito valor "estético-literário".

Sábado, 5 de Julho de 2008

Limiar

Vejo logo à frente
As raias da loucura
Onde euforia e caos dançam em desespero.
Me convidam a participar
Com meu passo ébrio
Das sessões de descontrole e perda.

Não há livre arbítrio
Para decidir racionalmente,
Pois sou um graveto no olho do furacão.
Cambaleio e disfarço,
Sou tragado pela mata escura,
Me tornando a alma da festa macabra.

Insânia e pesadelo
Substanciados na exótica realidade
Que nostalgicamente evoca torturas em anos de chumbo.
Até onde vai a vontade
De resistir sem ser quebrado?
Quanta violência até ouvir gritos de socorro?

E se pestanejar resoluto
Mesmo depois de perder os apoios?
Há que se pensar sempre no dia seguinte,
No próximo e no porvir,
Quando só restarem cicatrizes
E um semblante de couraça inabalável.

De fato, não há
Critérios definitivos,
Nem um limite para o sofrimento.

O que restará quando
Cada osso jazer em pedaços
E a loucura for o único alívio à solidão?
Mais uma dose, por favor.
Aquela última era bem fraquinha...
A noite vai ser longa e vou ficar de pé até o final.

[ 05-jul-2008 | 09h43min ]

obs: dois restar a corrigir...


aos leitores: esse aqui saiu do forno quando o coração ainda palpitava pela agressão e furto que sofri... então é natural que haja feridas abertas que não são particularmente fáceis de cicatrizar. mas com terapia e força de espírito a gente sempre consegue seguir adiante... com lucidez e vontade de chegar mais longe...

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

“Festa de rua”

Oh vento que faz cantiga nas folhas
No alto dos coqueirais
Oh vento que ondula as águas

Eu nunca tive saudade igual
(Dorival Caymmi in “Saudade de Itapoã”)

Imprisoned guessing games
A wandering childbearer

A rainy downpour washes away
Puddles into streams

Mais uma brej

Ambiance
Melodies
Odoricrous resins
Synesthesia

Awe
Marvelous conspiracy of the weather
In cohorts with Caymmi’s Bahia

A primordial groove
Denies the mere possibility of tears
Let alone despair

Murmurs of life
Can be read in assorted hues

The unabashing silence
Forecasts a breeze

All is quiet
No need to hurry

Cem barquinhos brancos
Nas ondas do mar
Uma galeota a Jesus levar
Meu Senhor dos Navegantes
Venha me valer
Venha me valer
Venha me valer
Venha me valer
A Conceição da Praia está embandeirada
De tudo quanto é canto muita gente vem
De toda parte vem um baticum de samba
Batuque, capoeira e também candomblé
(Dorival Caymmi in “Festa de rua”)

(21-dez-2006)

Relembrando o passado, na expectativa de que tudo dê certo até 21 de julho...

Sábado, 28 de Junho de 2008

acróstico I

A moça de quem falo
Não peca pela indiscrição,
Ainda que viva feito pulsar.

Linda como alguma coisa brilhante,
Uma jóia viva e cheia de frescor.
Inocente e sutilmente lasciva,
Suprema em seu jeito manso.
Acho impossível descrevê-la.

Talvez fosse possível
Outra estratégia que
Lidasse com detalhes
E refletisse a luz
Dos seus
Olhos.

Passo em branco e é
Inútil
Zangar-se
Ante seus comentários ferais.

Pois sua essência
É branda e
Só depois de anos
Se fez clara e presente.
Ó, como pude ser tolo!
Acho-te a espécie mais bela!

A noite nos faz cúmplices enquanto
Rumamos aleatoriamente em uníssono.
Ainda falta tanto afeto percebido...
Usei o teu nome como guia,
Julguei a perfeição como ti,
Ou será que fiz só um elogio?

aos leitores: "acrósticos" são uma tradição familiar consolidada a pelo menos três gerações. esse foi o primeiro que fiz, então para facilitar escolhei um nome fácil que tivesse algum histórico mínimo (pois assim evito absurdos como versos sem cadência que não fazem o menor sentido para a pessoa homenageada pelo mesmo, mas para se resguardar é sempre bom adotar uma perspectiva amorosa "vinicius-de-moraesiana"... se rolar rolou, se enrolar enrolar, se ignorar...deixa pra lá... no fundo tanto faz...

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

roça libre *

400 ml de coca-cola normal + 6 cubos de gelo + 1 colher de sopa de ovomaltine + 1 dose de pinga = roça libre

* medidas podem variar...



aos leitores: esse drink é horrível, não façam isso em casa (nem com a supervisão dos pais)...

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

tão simples

novamente há manchas
onde jazia o branco
do inverso destas linhas.

minha mente hesita e dança,
faz mistério e terapia.

desordeira vida urbana
em suplício e agonia!

sem saber qual é o plano,
à espera de uma rima?

quantificando o fôlego manso
do limite à utopia,
risco frases em quebranto --
rotas de fuga ao dia-a-dia:

perseverar ignorando
significados/etimologia

[16.jun.2008 14h22min]


aos leitores: uma fase bacana dos últimos tempos... uma homenagem a santa teresa e seus habitantes (mesmo os temporários)

Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Europa (intro) by Max Von Sidow

You will now listen to my voice.
My voice will help you and guide
you still deeper into Europa.

Every time you hear my voice,
with every word and every number,
you will enter a still deeper layer,
open, relaxed and receptive.

I shall now count from one to ten.
On the count of ten,
you will be in Europa.

I say one.

And as you focus your attention
entirely on my voice,
you will slowly begin to relax.

Two.

Your hands and your fingers are
getting warmer and heavier.

Three.

The warmth is spreading through
your arms, to your shoulders
and your neck.

Four.

Your feet and your legs get heavier.

Five.

The warmth is spreading
to the whole of your body.

On six I want you to go deeper.

I say six.

And the whole of your relaxed
body is slowly beginning to sink.

Seven.

You go deeper and deeper and
deeper.

Eight.

On every breath you take you go
deeper.

Nine.

You are floating.

On the mental count of ten you
will be in Europa.

Be there at ten.

I say ten.

aos leitores: um prólogo muito bacana, assistam a esse filme!

Domingo, 8 de Junho de 2008

A number with Mister M

Oh joyful bliss of vengeance
that smythes your puny deeds!
Look how it springs and bursts
at your marveled feet!
Can it be a light for real
and unveil the clout of deceit?

As I await the final deliverance
from this ordeal, let peace
and fortitude prevail,
transcending foes into mincemeat.

And to savor such an exquisite banquet
before awe-struck eyes
hypnotized by debonair.

The boldest moves disguised by a sleigh of hand,
teleporting me into redemption like a trick.
It all seems so simple...

Let this be the only published guidelines
detailing the inner workings that allow you
to go from point A to B
without notice.

There we have it! Out is a man
(replacing the black sheep)
with a blank fearless stance,
cooking his bile and
bringing the most perfect gift.

How did he do that?!




aos leitores: isso aqui foi beem legal, uma vingança pacífica... uma tentativa de recuperar um pinguinho de dignidade perante pessoas que me acompanharam durante a infância... vou me reservar o direito de só falar isso neste espaço.

Sábado, 7 de Junho de 2008

Eterno retorno

”Luto preto é vaidade
Neste funeral de amor
O meu luto é a saudade
E saudade não tem cor”
(Noel Rosa in “Silêncio de um minuto”)


Contei as horas e repassei cada momento em sua companhia

Lamentando a ira juvenil logo de partida
Maravilhado com a trama urdida a fado
De novo persisti monolítico
Esvaziando as rotas de fuga

Acompanho as velhas pegadas
Corríamos loucos ribanceira abaixo

A perfeita sincronia
A negação do indivíduo

Desesperadamente
Como ao final da maratona de dança

Olhei o suor no chão
Contando a história gota a gota
o que foi construído
o que já se perdeu
o que ainda vive em mim

Não

Não compreenderiam a intensidade do vínculo
Muito além das horas no dia
Aspirando à cumplicidade plena

Se fosse preciso reduzir
Tanto tempo a um único derradeiro instante
Passaria feliz a eternidade
A descartar bagagens ao umbral da porta
Para içá-la bem alto
Rodando e rodando
Em pânico de beijos e abraços e

Aplacar o turbilhão da saudade


(04-dez-2006 17h40min / um poeminha perdido entre bytes)


aos leitores: uma reciclagem poética... acho que foi uma das duas melhores poesias que poderia dedicar à 'donzela poética'... lembrança do regresso de uma viagem longa.

Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

"Um drinque à distância"

tava lá no começo da rua... sentado em um banco, com uma cervejinha no outro e as muletas encostadas num terceiro, vazio,
e então começaram a aparecer umas frases...
(é difícil acontecer de repente, sabe?)
era algo mais ou menos assim...

um brinde à bebida ausente!
eu te saúdo mesmo à distância,
imaginando ébrias alegrias,
como se estivesse tão próxima
quanto a nossa comunicação...


(pronto, acabou...)



aos leitores: para uma amiguinha bacana que não pude conhecer em pessoa...

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

another trance poem

never skip a beat
after hours
never skip a beat

trance until you follow
step away while you leave

never skip a beat

drive into the night
quite lost but unafraid

awake until tomorrow

chooning away
too deep


-cronopios-
-2008.05.16-



aos leitores: da época em que estava de 'castigo' em casa, escutando uma radiozinha de trance pela internet... tentei escrever algo no estilo, mas o resultado ficou pífio...

4 AM -- Kaskade

Sleepless gliding
Over the city lights
Watch us flying
Over the streets tonight

And I say
There's a way, there's a way I know
There's a way, there's a way I know
There's a way, there's a way
I know that someday we will surely find it
There's a way, there's a way I know
There's a way, there's a way I know
Someday, there's a way
Someday, there's a way I know it

Sunday morning
Watching the city sleep
Dreams are shining
Finally they're within reach

aos leitores: uma letra que escutei algumas vezes em uma rádio de trance... mas sei lá... acho que foi uma modinha pessoal que já passou...

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Instinto maternal que desafia a natureza (ou Yom Kippur)

O assunto de hoje é o relacionamento
entre duas espécies distintas,
arquétipo milenares.

Artista e sua obra
que realiza o grande sonho
renascentista:
Parla!

E eu digo agora:
É o seu dia.

Muito penso sobre essa data
e é tanto que sinto.

Melodias em voz de soprano
da menininha com seus filhotes.
Enleio e acalanto.

Quantas memórias doces poderia elencar...

Para ser breve passo à próxima,
pois é a mais importante.

A criança mudara anunciando um desafio:
-- Quero ser gente por mim mesmo e abandonar o abrigo.
Viver aventuras ignotas!

Logo naquele instante um coração hemorragia
E a ferida aberta nunca poderia doer tanto.
Caso não percebesse na hora,
em seguida a veria ser partilhada
com distinta solidariedade.

Now here I am, mother,
Trying to dissuade you,
Avoiding most of the shrapnel,
And I endure amid some cries,
Hardly faltering as I plod along
My via crucis.

But such is our love,
We had amended.
Much more sincere than an armistice
Are the peaceful terms settled.

Mediado pela moça de versos
Que me convenceu a voltar a amá-la,
Como nem mesmo minha própria mãe
Haveria de merecer.

The higher we jump, the harder we fall.
So I felt a conspiring sweep
Eliminate the steady ground below.
Skydiving into a ravine...

Defy all logic, and please
Transfer to me guilt
From the decade past.
I beg of you!
Denounce your offspring and
Make do with a knife slashing through
Your first-born.

There you have it now:
Blood splurting at our feet
Can't really tell whether it's
Yours, mine or his.

Parece que pode ser a gota d'água
E olhamos assustados
Para o ser hostil a nossa frente.

(De todos os mitos helênicos,
Medéia inspira o máximo temor.
Transgride o porto seguro materno
E vitima entre contos de ninar...)

Machuca o esforço de ser otimista.
Ignorando cargas recentes,
Aquiesço a tolos pedidos
E desobstruo as mesmas portas de sempre.

Dia das mães.
Dia do perdão.



aos leitores: esse é outro dos complicados... cheio de histórias... cheios de mágoas... buscando alguma reconciliação, pois a vida é curta demais para acumular rancores...

Domingo, 9 de Março de 2008

Maiêutica (ou Parindo Artigos)

Balança do poder e o pacifismo brasileiro na América do Sul sob uma perspectiva racionalista. Uma análise de disputas com a Argentina que não desencadearam em conflitos armados (1870-1991)

Como explicar o pacifismo brasileiro? Desde o fim da Guerra do Paraguai o Brasil se absteve do uso da força ante seus vizinhos sul-americanos. Este artigo pretende estudar a relação entre dois potenciais adversários continentais que não se valeram da guerra para comunicar suas preferências até finalmente firmarem o Tratado de Asunción que criou o Mercado Comum do Sul.

A partir de uma análise racionalista e variáveis quantitativas avalia-se quão (im)provável seria um enfrentamento bélico entre Brasil e Argentina no período que vai de 1870 a 1991.
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Ao lado da linguagem escrita e do comércio, guerras aparecem como manifestações universais de vida em sociedade. Trata-se de um elemento inextricável da paisagem humana, tanto que não é fácil determinar nem mesmo períodos breves em que o mundo se viu livre de conflitos armados. O historiador militar alemão Carl von Clausewitz em sua frase mais célebre afirma a “naturalidade” de enfrentamentos bélicos ao apresentar a guerra como “uma continuação da política, por outros meios”. A despeito de questionamentos quanto ao seu caráter destrutivo, a agressão militar integra, a qualquer instante, o conjunto de escolhas disponíveis a governantes mundo afora.

As relações internacionais brasileiras destoam do padrão de comportamento apresentado acima. Desde a Guerra do Paraguai em 1870 o Brasil não mobiliza tropas para resolver conflitos regionais pelo uso da força. Ao abdicar por tanto tempo de um recurso amplamente utilizado por outras nações, a diplomacia brasileira apresenta um curioso dilema: Por que somos tão pacíficos?

Embora a questão seja simples em sua formulação, uma resposta satisfatória seria demasiado extensa e estaria além das capacidades do autor. Em vez disso, prefiro considerar um problema distinto mas relacionado à mesma agenda de pesquisa: Quão improvável é o pacifismo brasileiro?

O instrumental adotado para esta investigação é o de teorias racionalistas, que visam algum sentido lógico no comportamento de nações no plano externo, se distanciando de explicações baseadas nas características idiossincráticas de mandatários ou em peculiaridades culturais específicas a cada povo. (...)

O Racionalismo e a Ciência Política (abstract)

Uma das questões fundamentais no estudo da teoria política diz respeito aos aspectos que determinam a praxe no mundo real. As mais diversas explicações a considerar podem, do ponto de vista comportamental, serem divididas entre as idiossincráticas e as generalizadoras.

Não me parece difícil argumentar em benefício das últimas em detrimento das primeiras. Mas antes de mais nada precisamos determinar critérios e formas de comparação a serem partilhados.

Este artigo discute a multiplicidade de caminhos na elaboração de uma ciência política e defende o racionalismo como direção a seguir. Sem se concentrar em um único problema específico, o autor pretende não apenas discorrer sobre vantagens como também comentar limitações inerentes a essa abordagem. Trata-se de um ensaio informal a respeito da metodologia em ciências sociais.

Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Reminiscências de 2002 -- Prelúdio (?)

De dia e de noite vozes esparsas indagam errantes:

−Que vês na poesia?
Arte simplória de palavras cinésias,
Embuste retinto ludibriando leitores,
Revoltas num autorama de brinquedo oxidado,
Proposta de outra vida, entrelinhas.
Por que se alimentas da poesia?

Minha sina remonta a tempos longínquos,
Emana a presença da busca por caminho;
Juventude imaculada pelo ódio, amor e virtude,
Fruto de desavenças apenas vistas,
Um paradoxo inexistente a me iludir…

−Poeta malandro! que enrola e se esquiva,
Responde! Responde! Pra quê inventar poesia?

Vidas, pessoas, fantasias são como cartas em um baralho;
Normalmente se confundem, às vezes se destacam.

−Agora foges dissimulado, petulante…
Que mal há nas interrogações?
Que dor é essa que em suas elipses se expõe?

O estudo das coisas e ponto
Não traz o conforto, apenas benfeitoria.
A conivência de amores em chama
Desfaz o remoto e apenas definha.
Um salário, dois carros, renome e um Porsche
Tudo que é ou não é Nada… a nada expia.

De repente só durmo acordado
E o meu peito em prelúdio constante vigia,
Percebe a presença das liras e confirma:


− “Como eu gosto e desgosto essa voraz poesia!”

[ 27-jul-2002 ]

Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

Vinicius de Moraes - Samba da Benção

Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não.

Senão é como amar uma mulher só linda... e daí?
Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado, uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher...

Pet peeve lingüístico: MAIS BEM

Para quem aprecia organizar letrinhas ou vê-las concatenadas de maneira agradável, 2007 foi um ano ambíguo. Bom, obviamente agora vou reduzir o ano inteiro a dois aspectos opostos que girem em torno do tema introduzido há pouco. Lá vai...

- O gerundismo teve sua sentença de morte decretada no Diário Oficial do Distrito Federal. Quando um cacoete desagradável vira factóide político, pode ter certeza que já está de malas prontas para o limbo das pérolas, onde mora "a nível de".

- Uma nova desgraça nos assola... O "mais bem" veio com tudo nesse ano, servindo até de recurso para desqualificar nosso ex-presidente intelequitual. Pouco importa saber que há casos em que "melhor" está errado, se o certo for essa expressão foneticamente desagradável prefiro reescrever a frase inteira e me esquivar desta maledetta. Vamos ver um exemplo, extraído do UOL:
Assim, Dunga aparece como mais bem avaliado do que Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari em períodos de tempo semelhantes no time nacional.

Francamente, será que é tão difícil assim escrever "com uma avaliação melhor/superior às de Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari..."?

Tomara que o novo ano cuide dessa nova praguinha lingüística!

Feliz fim de ano!

Domingo, 16 de Dezembro de 2007

"Chega de saudade"

Outro dia após uma ensolação escaldante
Vivenciei a minha primeira miragem messiânica

Não surgiram línguas de fogo, nem o diabo a me tentar
Com seu embuste de areia

Porém como em milênios de outrora,
Passei por epifanias enquanto caminhava no
Deserto solitário.

Delirei, louvei...
Transcendi?

O saber técnico contemporâneo
Deve até discordar
E como todo ser totalitário
Imporá sua versão sem espaço para debate.

Passadas as horas do transe
(acordado pelo sol de madrugada)
Fico sem saber mais o que é real
(questiúncula desimportante, aliás)

Só torço para a ninfa de então
Suportar o elemental da água
E que nos reencontremos um dia
No reino da fantasia.

from <__________@gmail.com>
to _______@hotmail.com,

date Dec 14, 2007 9:08 AM
subject "Chega de saudade"
mailed-by gmail.com

Sábado, 15 de Dezembro de 2007

Concreto: uma rocha entre rochas - Paul Chadwick



"...I've learned to accept that there are things I just can't do...

There will always be barriers between me and what normal people can do.

But every adult must eventually face the limitations of his life. We don't get to do and have everything.

We play the cards we're dealt."


Concrete


The Road Not Taken - Robert Frost (1874-1963)

TWO roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

[first published in Mountain Interval, 1920]

Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

Priorizem as prioridades - BNegão

Pois se a liberdade hoje se parece com 1 cigarro ou com o carro mais potente do mercado
Me desculpe, mas as bolas foram trocadas bem na sua frente
E você nem se tocou; pagou, comprou, levou assim mesmo o seu atual presente: felicidade completa como uma boca sem dente, tão libertário quanto uma bola de ferro com corrente algemada aos seus pés.

Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

INCOMPREENSÍVEL PARA AS MASSAS -- Maiakóvski

[Um poeminha em homenagem às pessoas que fogem ao comportamento absurdamente típico da maioria (ou da média... que consegue ser ainda mais nefasta que a maioria).]


Entre escritor
e leitor
posta-se o intermediário,
e o gosto
do intermediário
é bastante intermédio.
Medíocre
mesnada
de medianeiros médios
pulula
na crítica
e nos hebdomadários.
Aonde
galopando
chega teu pensamento,
um deles
considera tudo
sonolento:
- Sou homem
de outra têmpera! Perdão,
lembra-me agora
um verso
de Nadson...
O operário
Não tolera
linhas breves.
E com tal
mediador
ainda se entende Assiéiev
Sinais de pontuação?
São marcas de nascença!
O senhor
corta os versos
toma muitas licenças.
Továrich Maiacóvski,
porque não escreve iambos?
Vinte copeques
por linha
eu lhe garanto, a mais.
E narra
não sei quantas
lendas medievais,
e fala quatro horas
longas como anos.
O mestre lamentável
repete
um só refrão:
- Camponês
e operário
não vos compreenderão.
O peso da consciência
pulveriza
o autor.
Mas voltemos agora
ao conspícuo censor:
Campones só viu
há tempo
antes da guerra,
na datcha,
ao comprar
mocotós de vitela.
Operários?
Viu menos.
Deu com dois
uma vez
por ocasião da cheia,
dois pontos
numa ponte
contemplando o terreno,
vendo a água subir
e a fusão das geleiras.
Em muitos milhões
para servir de lastro
colheu dois exemplares
o nosso criticastro.
Isto não lhe faz mossa -
é tudo a mesma massa...
Gente - de carne e osso!!
E à hora do chá
expende
sua sentença:- A classe
operária?
Conheço-a como a palma!
Por trás
do seu
silêncio,
posso ler-lhe na alma -
Nem dor
nem decadência.
Que autores
então
há de ler essa classe?
Só Gógol,
só os clássicos.
Camponeses?
Também.
O quadro não se altera.
Lembra-me e agora -
a datcha, a primavera...
Este palrar
de literatos
muitas vezes passa
entre nós
por convívio com a massa.
E impige
modelos
pré-revolucionários
da arte do pincel,
do cinzel,
do vocábulo.
E para a massa
flutuam
dádivas de letrados -
lírios,
delírios,
trinos dulcificados.
Aos pávidos
poetas
aqui vai meu aparte:
Chega
de chuchotar
versos para os pobres.
A classe condutora,
também ela pode
compreender a arte.
Logo:
que se eleve
a cultura do povo!
Uma só,
para
todos.
O livro bom
é claro
e necessário
a vós,
a mim,
ao camponês e ao operário.
(Tradução de Haroldo de Campos)

Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Eta Carinae

Extraído daqui
Eta Carinae está no fim da vida. Com cerca de 2,5 milhões de anos, restam a ela no máximo 500 mil anos. O problema é que a morte da estrela nesse estágio poderá causar um grande impacto na vida da Terra. Estrelas com essa massa morrem como hipernovas, brilhando como todas as estrelas do Universo juntas (100 bilhões de vezes 100 bilhões de sóis). Esse ''flash'' inimaginável emitiria uma rajada de raios gama capaz de abrir um rombo na camada de ozônio que protege a Terra dos raios ultravioleta do Sol. Em questão de horas, regiões inteiras do planeta seriam torradas. Como a estrela já está expelindo átomos pesados, essa explosão pode acontecer, literalmente, a qualquer momento.


Resenha do showzinho... assim que voltarmos dos comerciais!

Teclando aleatoriamente

Me lambuzo com esse doce deleite,
Brincando com as palavras,
.Infâmia inconseqüente..
Apresentando aliterações que não
passam de uma desculpa esfarrapada
que justifique o uso da trema.

Me inebria esse quebra-cabeça de orações
subordinadas adversativas com seus múltiplos
caminhos possíveis.

A retórica que pode ser ajustada.
Ora é "tapa de pelica" com afeto
Ou então "esmaga o opressor, aniquila, fulmina"

Falo de palavras com o mesmo fascínio
do exímio espadachim por sua lâmina.
As mãos que anseiam ferir
através da ferramenta cortante.
Mostrando de forma cerimonial toda letalidade latente.

Por vezes sinto um fluxo torrencial de palavras
que exigem serem escritas a um ritmo frenético de
milhares de teclas por minuto,
feito uma submetralhadora de uso exclusivo militar,
que estraçalha a esmo...
Ao arrepio das leis.

Fico então em cárcere privado.
Me acompanham os fonemas e sintaxe
num processo que não parece
ter fim.

Um diálogo que pode ser vetado

Abaixo transcrevo um post do Reinaldo Azevedo, acompanhada do meu comentário logo em seguida. Como ele modera o debate (assim como eu) em seu bloguinho decidi que caberia colocar aqui só para lembrar...

Samba-do-crioulo-doido. Ou ziriguidum, balacobaco, telecoteco...

Por Nicola Pamplona, no Estadão de hoje. Volto depois:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu com a liberação de R$ 12 milhões para as 12 escolas de samba do Grupo Especial do carnaval carioca. O dinheiro virá da Petrobrás e das companhias petroquímicas Braskem e Unipar. Segundo o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), um dos objetivos é afastar “más influências” das escolas, que têm histórico de ligação com o jogo do bicho e com o tráfico de drogas. “(As escolas de samba) precisam de autonomia para que más influências não prejudiquem um patrimônio do povo brasileiro”, afirmou Cabral, lembrando que o carnaval foi tombado como patrimônio cultural pelo Ministério da Cultura. Questionado sobre quais seriam as más influências, desconversou: “Qualquer má influência.” (...)
A ajuda às escolas de samba foi definida em reunião ontem pela manhã no Hotel Glória, zona Sul do Rio, com representantes das agremiações e da Petrobrás, além de Gilberto Gil (Cultura). Na saída, Gil admitiu que o apoio do governo pode reduzir a participação da criminalidade no carnaval carioca. “Não é a partir disso que o Ministério da Cultura se move no sentido de um parceiro, mas ajuda. Todo aporte de recursos a ações culturais da comunidade é um fator inibidor dos riscos da ilegalidade, do convívio com a criminalidade”, disse Gil, sem informar como será a fiscalização dos gastos dessa verba.
Assinante lê mais aqui

Voltei
Sei... É a lógica do “eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui, pedindo..”. Imaginem se um evento como o desfile das escolas do Rio precisa de dinheiro oficial... Por quê? Não há ninguém no mercado interessado em patrocinar as escolas? Isso me lembra a conversa mole do financiamento público de campanha: “Ah, se o dinheiro for do Estado, não haverá mais grana ilícita na eleição”. Vocês sabem: é mentira. Sem uma severa punição para o financiamento ilegal, ele continuará a acontecer e vai se somar ao dinheiro público.

A infiltração das escolas pelo narcotráfico é realmente investigada e punida, ou se faz de conta que tudo é muito normal (com receio de prejudicar o espetáculo)? Vocês conhecem a resposta. Aí disse o ministro da Cultura, Gilberto Gil, com aquela sua sintaxe-elástico, sempre espichando o simples para lhe conferir aparência de complexidade: “Não é a partir disso que o Ministério da Cultura se move no sentido de um parceiro, mas ajuda. Todo aporte de recursos a ações culturais da comunidade é um fator inibidor dos riscos da ilegalidade, do convívio com a criminalidade”.

É uma mentira teórica e prática. Também a cultura pode estar infiltrada pelo crime, especialmente pelo narcotráfico. É o caso dos bailes funk e das escolas de samba. Ademais, note-se: tratam-se R$ 12 milhões como se fossem uma mixaria. Quem vai prestar contas pelo dinheiro? Como? A quem? Com que fiscalização?



Que pitizinho mais fora de lugar. Primeiro o sr apelou no titulo para aquela imagem tangencialmente racista (desculpa, eu queria encontrar uma palavra em português que fosse equivalente a "borderline")...

Carnaval pode ser algo meio patético em SP, mas aqui no Rio leva-se muito a sério e realmente faz-se necessário dar um apoio adicional num momento em que o antigo presidente da Liesa (Liga das Escolas de Samba) se encontra no xilindró.

Essa ladainha pseudoliberalista de oposição é muito fraca, sr. Reinaldo... Como tenho algum tempo livre vou aproveitar para descrever todas as medidas que foram tomadas pelo governo (federal, estadual e municipal) para ajudar a melhorar a nossa Festinha Profana:

- A Prefeitura construiu a Cidade do Samba para abrigar os barracões num espaço público com maior potencial turístico (posto que junta todas escolas num mesmo lugar e não fica em área de risco)

- A Polícia Federal desbaratou uma quadrilha que estava envolvida nos mais diversos problemas (e ainda contava com a participação de desembargadores)

- Na órbita estadual implantou-se uma nova política de segurança pública que pode ser resumida de forma bem simples: "Bandido é bandido. Polícia é polícia."

Espero que esses tópicos sejam esclarecedores, mas se for complexo eu posso até desenhar...

Agora para responder às suas críticas sobre falta de accountability (ou responsabilização) e da intervenção estatal...

+ A festa é vista por milhões de pessoas... Se embolsarem a grana vai ficar meio evidente. A princípio a preocupação parece ser simplesmente ocupar o vácuo dos contraventores e não deixar espaço para traficantes (vide o caso do presidente da Estação Primeira de Mangueira com o Beira-Mar)

+ Eu acho bobo quando alguém critica "intervencionismo estatal" quase por reflexo involuntário (como no seu caso). Há algum consenso entre economistas os mais liberais (preferimos o termo "mainstream") de que em alguns setores pode ser interessante os agentes públicos incentivarem atividades. Pense no Carnaval Carioca como uma "indústria nascente". No futuro ela pode até ganhar viabilidade econômica com o patrocínio de grandes empresas (privadas ou não), mas por ora os únicos financiadores particulares são os narcoempreendedores.

Acho que ficou bem claro, agora (heheh)

Abraço.

Sábado, 8 de Dezembro de 2007

Eta Carinae -- Graça Maior

(Dirceu Melo)

Quando o sol surgiu pra mim
Com a sua graça maior
E eu vi que tinha você,
Do meu lado
Percebi que o tempo parou de passar,
Na vida tudo tem seu lugar
Não há um fim pra onde podemos chegar.

Sábado, 1 de Dezembro de 2007

Reminiscências de 2006



querubim. [do hebr. kerubin, pl. de kerub, atr. do lat. cherubin.] S.f. 3. Fig. Criança muito linda

"Mergulhei na minha vida quando te conheci
Um dia de inverno no meio de qualquer outro."

(Curioso como era sempre assim:
Voltando chato da escola
Indeciso entre ligar a TV ou esperar um milagre.)

"Estávamos..."

(Não, na verdade nunca "estávamos" nada antes!
Podia ser difícil acreditar nessa tristeza
Meio angst indizível e tão juvenil.
Como se fosse uma ilha ou autista
E nunca houvera tratado semelhantes.
Ou talvez – com menos empáfia –, sentira um mundo em possibilidade,
Delirantes maravilhas incríveis.)

"Mas faltavam palavras que coubessem nas horas.
A linguagem engasgava. Palpitação mórbida."

(São tantas versões de fato
Tem aquela – ótima –
Onde simplesmente nos apresentávamos,
Passando uma noite em sociedade anônima
Bebendo e fumando cultura pop.)

(São várias folhas em branco
Escritos os nomes em linhas gerais
E algumas indicações de palco.)

(Confesso que o improviso estranho
Deu sabor meio engraçado
Àquela madrugada de agosto.)

“Melhor seria não fosse o triálogo desequilibrado
A vexar o concerto.”

(Ah, mas isso é puro recalque!
Pra ser sincero,até gostava do cara.
Sem ironia: mais uma vez agradeço,
Com ironia: seu arquétipo tem lugar garantido.)

(Não faço questão de mal nem me desculpo.
Somos (eu, você e o acaso) co-autores
E responsáveis pelos feitos.)

[8-nov-2006 às 16h17min]

Domingo, 25 de Novembro de 2007

Sound of your voice - Barenaked ladies (with video!)

Uma musiquinha lesgal com um clipe divertido de uma dupla de dois humoristas americanos da geração internética, BaratsAndBereta:



The moon is full but there is an incompleteness
The days are beautiful but I feel a bitter sweetness
If I had a wish, or even a choice
I'd wake up to the sound of your voice
How I miss waking up to the sound of your voice

I let you down and fell right off of your good list
I hope each day you'll find peace and forgiveness
The alarm clock rings, What a lonely noise
And I long for the sound of your voice
Oh, how I miss waking up to the sound of your voice

Take it from me: there's not much to see
In this void

The saying goes there will be other dances (don't give up)
This little song is about second chances
Just say the word and I will rejoice
And wake up to the sound of your voice
Oh, how I miss waking up to the sound
To the sound (sound)
To the sound (to the sound)
To the sound
Waking up to the sound of your voice

Take it from me: there's not much to see
In this void

Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

Basta de clamares inocência -- Cartola

Basta de clamares inocência
Eu sei todo mal que a mim você fez
Você desconhece consciência
Só deseja o mal
A quem o bem te fez

Basta, não ajoelhes, vá embora
Se estás arrependido
Vê se chora

Quando você partiu me disse chora
Não chorei
Caprichosamente fui esquecendo
Que te amei

Hoje tu me encontras
Tão alegre e diferente
Jesus não castiga
O filho que está inocente

Basta, não ajoelhes, vá embora
Se estás arrependido
Vê se chora
Não é a música perfeita para o momento específico, mas tem muito a ver mesmo assim. Além disso a letra é sensacional!

Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Guerra e Paz

- I : Escalada -

O aroma de terra molhada antecipa
Pancadas
De chuva por vir

Essa chuva que cai maneira
É tagarela
E criptografa no céu:
"Não temas o trovão, meu filho...
Mas se quiseres a paz,
Então prepara-te para a guerra."

Espontaneamente separo
Meu uniforme de campanha
E escrevo cartas-testamento
Jurando amor após a morte (inevitável)
A tantas mulheres desta vida breve
(Mesmo àquelas que sequer conheci)

O clamor de trombetas me impele,
Subjugando o medo que contraria meu coração

As conversas diplomáticas desandaram
E a tempestade lá fora
É enchente de lágrimas coletivas
Que inundam salgadas
De dores e traumas
Sofridos
Por antecipação.

- II : Choque -

Decerto não amo o conflito,
Tampouco desejo ver correndo
O sangue alheio por minhas mãos.

De que me importa o motivo mais nobre a lavar a alma
Se a avalanche de mágoas e corpos
Soterrará minha parca redenção?

Oh, Deus, escutai essa prece...
"Oxalá que fôra possível apaziguar o atrito
E unir a todos durante a ceia
Em louvor ao nascimento de Vosso filho
(Feito uma enorme família feliz)."

Mas os céus foram bem claros:
"Não há escapatória.
Se quiseres a paz,
Então prepara-te para a guerra"

Por favor me proteja, ó Pai...

- III : Sobrevida -

A glória da batalha veio em vão.
E concordo com Pirro, que ceticamente indaga:
"Vitória?"

O tempo há de cauterizar as feridas
E transfigurar chagas em cicatrizes
Que eternamente nos lembrarão
Das perdas e baixas desta lida.

Mais tarde, quando o Tribunal dos Pecados
Me intimar e pesar meus mortos,
Minha única defesa a proferir será:
"Peço desculpas a todos os corações partidos.
Eu só quis a paz
E é justamente por isso
Que vim, vi e venci
A guerra."

Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Untimely declaration of war

- I : Call to arms -

Vez por outra a desgraça me comove
E mesmo contrariado, pego em armas.
Sem medo de usá-las, ainda choro.
Do conflito em escalada
Não há escapatória:

"Eu sei que vou sofrer..."
Eu sei que vou matar.
Quero sobreviver
Pelos destroços
Ressuscitar.
Vencer só por vencer
Não sei
Comemorar.


- II : Deterrence -

"Se há sangue correndo nas ruas
Compre ações."
Há um lado de mim nefasto
Programado para matar.
Nem poético, nem democrático,
Sim truculento e implacável.

E esse barril de pólvora é apólice
que assegura minha humanidade.
É meu filhote de pitbull assassino
que se deleita ao dilacerar.

Cultivo a violência com apuro e carinho
para não sucumbir ao fascínio
para que ainda seja eficaz
e não tenha que usá-la.

Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Andrew Sullivan -- Goodbye to All That (part I)

The logic behind the candidacy of Barack Obama is not, in the end, about Barack Obama. It has little to do with his policy proposals, which are very close to his Democratic rivals’ and which, with a few exceptions, exist firmly within the conventions of our politics. It has little to do with Obama’s considerable skills as a conciliator, legislator, or even thinker. It has even less to do with his ideological pedigree or legal background or rhetorical skills. Yes, as the many profiles prove, he has considerable intelligence and not a little guile. But so do others, not least his formidably polished and practiced opponent Senator Hillary Clinton.



Obama, moreover, is no saint. He has flaws and tics: Often tired, sometimes crabby, intermittently solipsistic, he’s a surprisingly uneven campaigner.



A soaring rhetorical flourish one day is undercut by a lackluster debate performance the next. He is certainly not without self-regard. He has more experience in public life than his opponents want to acknowledge, but he has not spent much time in Washington and has never run a business. His lean physique, close-cropped hair, and stick-out ears can give the impression of a slightly pushy undergraduate. You can see why many of his friends and admirers have urged him to wait his turn. He could be president in five or nine years’ time—why the rush?



But he knows, and privately acknowledges, that the fundamental point of his candidacy is that it is happening now. In politics, timing matters. And the most persuasive case for Obama has less to do with him than with the moment he is meeting. The moment has been a long time coming, and it is the result of a confluence of events, from one traumatizing war in Southeast Asia to another in the most fractious country in the Middle East. The legacy is a cultural climate that stultifies our politics and corrupts our discourse.



Obama’s candidacy in this sense is a potentially transformational one. Unlike any of the other candidates, he could take America—finally—past the debilitating, self-perpetuating family quarrel of the Baby Boom generation that has long engulfed all of us. So much has happened in America in the past seven years, let alone the past 40, that we can be forgiven for focusing on the present and the immediate future. But it is only when you take several large steps back into the long past that the full logic of an Obama presidency stares directly—and uncomfortably—at you.



At its best, the Obama candidacy is about ending a war—not so much the war in Iraq, which now has a mo­mentum that will propel the occupation into the next decade—but the war within America that has prevailed since Vietnam and that shows dangerous signs of intensifying, a nonviolent civil war that has crippled America at the very time the world needs it most. It is a war about war—and about culture and about religion and about race. And in that war, Obama—and Obama alone—offers the possibility of a truce.



The traces of our long journey to this juncture can be found all around us. Its most obvious manifestation is political rhetoric. The high temperature—Bill O’Reilly’s nightly screeds against anti-Americans on one channel, Keith Olbermann’s “Worst Person in the World” on the other; MoveOn.org’s “General Betray Us” on the one side, Ann Coulter’s Treason on the other; Michael Moore’s accusation of treason at the core of the Iraq War, Sean Hannity’s assertion of treason in the opposition to it—is particularly striking when you examine the generally minor policy choices on the table. Something deeper and more powerful than the actual decisions we face is driving the tone of the debate.



Take the biggest foreign-policy question—the war in Iraq. The rhetoric ranges from John McCain’s “No Surrender” banner to the “End the War Now” absolutism of much of the Democratic base. Yet the substantive issue is almost comically removed from this hyperventilation. Every potential president, Republican or Democrat, would likely inherit more than 100,000 occupying troops in January 2009; every one would be attempting to redeploy them as prudently as possible and to build stronger alliances both in the region and in the world. Every major candidate, moreover, will pledge to use targeted military force against al-Qaeda if necessary; every one is committed to ensuring that Iran will not have a nuclear bomb; every one is committed to an open-ended deployment in Afghanistan and an unbending alliance with Israel. We are fighting over something, to be sure. But it is more a fight over how we define ourselves and over long-term goals than over what is practically to be done on the ground.



On domestic policy, the primary issue is health care. Again, the ferocious rhetoric belies the mundane reality. Between the boogeyman of “Big Government” and the alleged threat of the drug companies, the practical differences are more matters of nuance than ideology. Yes, there are policy disagreements, but in the wake of the Bush administration, they are underwhelming. Most Republicans support continuing the Medicare drug benefit for seniors, the largest expansion of the entitlement state since Lyndon Johnson, while Democrats are merely favoring more cost controls on drug and insurance companies. Between Mitt Romney’s Massachusetts plan—individual mandates, private-sector leadership—and Senator Clinton’s triangulated update of her 1994 debacle, the difference is more technical than fundamental. The country has moved ever so slightly leftward. But this again is less a function of ideological transformation than of the current system’s failure to provide affordable health care for the insured or any care at all for growing numbers of the working poor.



Even on issues that are seen as integral to the polarization, the practical stakes in this election are minor. A large consensus in America favors legal abortions during the first trimester and varying restrictions thereafter. Even in solidly red states, such as South Dakota, the support for total criminalization is weak. If Roe were to fall, the primary impact would be the end of a system more liberal than any in Europe in favor of one more in sync with the varied views that exist across this country. On marriage, the battles in the states are subsiding, as a bevy of blue states adopt either civil marriage or civil unions for gay couples, and the rest stand pat. Most states that want no recognition for same-sex couples have already made that decision, usually through state constitutional amendments that allow change only with extreme difficulty. And the one state where marriage equality exists, Massachusetts, has decided to maintain the reform indefinitely.



Given this quiet, evolving consensus on policy, how do we account for the bitter, brutal tone of American politics? The answer lies mainly with the biggest and most influential generation in America: the Baby Boomers. The divide is still—amazingly—between those who fought in Vietnam and those who didn’t, and between those who fought and dissented and those who fought but never dissented at all. By defining the contours of the Boomer generation, it lasted decades. And with time came a strange intensity.



The professionalization of the battle, and the emergence of an array of well-funded interest groups dedicated to continuing it, can be traced most proximately to the bitter confirmation fights over Robert Bork and Clarence Thomas, in 1987 and 1991 respectively. The presidency of Bill Clinton, who was elected with only 43 percent of the vote in 1992, crystallized the new reality. As soon as the Baby Boomers hit the commanding heights, the Vietnam power struggle rebooted. The facts mattered little in the face of such a divide. While Clinton was substantively a moderate conservative in policy, his countercultural origins led to the drama, ultimately, of religious warfare and even impeachment. Clinton clearly tried to bridge the Boomer split. But he was trapped on one side of it—and his personal foibles only reignited his generation’s agonies over sex and love and marriage. Even the failed impeachment didn’t bring the two sides to their senses, and the election of 2000 only made matters worse: Gore and Bush were almost designed to reflect the Boomers’ and the country’s divide, which deepened further.



The trauma of 9/11 has tended to obscure the memory of that unprecedentedly bitter election, and its nail- biting aftermath, which verged on a constitutional crisis. But its legacy is very much still with us, made far worse by President Bush’s approach to dealing with it. Despite losing the popular vote, Bush governed as if he had won Reagan’s 49 states. Instead of cementing a coalition of the center-right, Bush and Rove set out to ensure that the new evangelical base of the Republicans would turn out more reliably in 2004. Instead of seeing the post-’60s divide as a wound to be healed, they poured acid on it.

Goodbye to All That (part II)

With 9/11, Bush had a reset moment—a chance to reunite the country in a way that would marginalize the extreme haters on both sides and forge a national consensus. He chose not to do so. It wasn’t entirely his fault. On the left, the truest believers were unprepared to give the president the benefit of any doubt in the wake of the 2000 election, and they even judged the 9/11 attacks to be a legitimate response to decades of U.S. foreign policy. Some could not support the war in Afghanistan, let alone the adventure in Iraq. As the Iraq War faltered, the polarization intensified. In 2004, the Vietnam argument returned with a new energy, with the Swift Boat attacks on John Kerry’s Vietnam War record and CBS’s misbegotten report on Bush’s record in the Texas Air National Guard. These were the stories that touched the collective nerve of the political classes—because they parsed once again along the fault lines of the Boomer divide that had come to define all of us.



The result was an even deeper schism. Kerry was arguably the worst candidate on earth to put to rest the post-1960s culture war—and his decision to embrace his Vietnam identity at the convention made things worse. Bush, for his part, was unable to do nuance. And so the campaign became a matter of symbolism—pitting those who took the terror threat “seriously” against those who didn’t. Supporters of the Iraq War became more invested in asserting the morality of their cause than in examining the effectiveness of their tactics. Opponents of the war found themselves dispirited. Some were left to hope privately for American failure; others lashed out, as distrust turned to paranoia. It was and is a toxic cycle, in which the interests of the United States are supplanted by domestic agendas born of pride and ruthlessness on the one hand and bitterness and alienation on the other.



This is the critical context for the election of 2008. It is an election that holds the potential not merely to intensify this cycle of division but to bequeath it to a new generation, one marked by a new war that need not be—that should not be—seen as another Vietnam. A Giuliani-Clinton matchup, favored by the media elite, is a classic intragenerational struggle—with two deeply divisive and ruthless personalities ready to go to the brink. Giuliani represents that Nixonian disgust with anyone asking questions about, let alone actively protesting, a war. Clinton will always be, in the minds of so many, the young woman who gave the commencement address at Wellesley, who sat in on the Nixon implosion and who once disdained baking cookies. For some, her husband will always be the draft dodger who smoked pot and wouldn’t admit it. And however hard she tries, there is nothing Hillary Clinton can do about it. She and Giuliani are conscripts in their generation’s war. To their respective sides, they are war heroes.



In normal times, such division is not fatal, and can even be healthy. It’s great copy for journalists. But we are not talking about routine rancor. And we are not talking about normal times. We are talking about a world in which Islamist terror, combined with increasingly available destructive technology, has already murdered thousands of Americans, and tens of thousands of Muslims, and could pose an existential danger to the West. The terrible failures of the Iraq occupation, the resurgence of al-Qaeda in Pakistan, the progress of Iran toward nuclear capability, and the collapse of America’s prestige and moral reputation, especially among those millions of Muslims too young to have known any American president but Bush, heighten the stakes dramatically.



Perhaps the underlying risk is best illustrated by our asking what the popular response would be to another 9/11–style attack. It is hard to imagine a reprise of the sudden unity and solidarity in the days after 9/11, or an outpouring of support from allies and neighbors. It is far easier to imagine an even more bitter fight over who was responsible (apart from the perpetrators) and a profound suspicion of a government forced to impose more restrictions on travel, communications, and civil liberties. The current president would be unable to command the trust, let alone the support, of half the country in such a time. He could even be blamed for provoking any attack that came.



Of the viable national candidates, only Obama and possibly McCain have the potential to bridge this widening partisan gulf. Polling reveals Obama to be the favored Democrat among Republicans. McCain’s bipartisan appeal has receded in recent years, especially with his enthusiastic embrace of the latest phase of the Iraq War. And his personal history can only reinforce the Vietnam divide. But Obama’s reach outside his own ranks remains striking. Why? It’s a good question: How has a black, urban liberal gained far stronger support among Republicans than the made-over moderate Clinton or the southern charmer Edwards? Perhaps because the Republicans and independents who are open to an Obama candidacy see his primary advantage in prosecuting the war on Islamist terrorism. It isn’t about his policies as such; it is about his person. They are prepared to set their own ideological preferences to one side in favor of what Obama offers America in a critical moment in our dealings with the rest of the world. The war today matters enormously. The war of the last generation? Not so much. If you are an American who yearns to finally get beyond the symbolic battles of the Boomer generation and face today’s actual problems, Obama may be your man.

Goodbye to All That (part III)

What does he offer? First and foremost: his face. Think of it as the most effective potential re-branding of the United States since Reagan. Such a re-branding is not trivial—it’s central to an effective war strategy. The war on Islamist terror, after all, is two-pronged: a function of both hard power and soft power. We have seen the potential of hard power in removing the Taliban and Saddam Hussein. We have also seen its inherent weaknesses in Iraq, and its profound limitations in winning a long war against radical Islam. The next president has to create a sophisticated and supple blend of soft and hard power to isolate the enemy, to fight where necessary, but also to create an ideological template that works to the West’s advantage over the long haul. There is simply no other candidate with the potential of Obama to do this. Which is where his face comes in.



Consider this hypothetical. It’s November 2008. A young Pakistani Muslim is watching television and sees that this man—Barack Hussein Obama—is the new face of America. In one simple image, America’s soft power has been ratcheted up not a notch, but a logarithm. A brown-skinned man whose father was an African, who grew up in Indonesia and Hawaii, who attended a majority-Muslim school as a boy, is now the alleged enemy. If you wanted the crudest but most effective weapon against the demonization of America that fuels Islamist ideology, Obama’s face gets close. It proves them wrong about what America is in ways no words can.



The other obvious advantage that Obama has in facing the world and our enemies is his record on the Iraq War. He is the only major candidate to have clearly opposed it from the start. Whoever is in office in January 2009 will be tasked with redeploying forces in and out of Iraq, negotiating with neighboring states, engaging America’s estranged allies, tamping down regional violence. Obama’s interlocutors in Iraq and the Middle East would know that he never had suspicious motives toward Iraq, has no interest in occupying it indefinitely, and foresaw more clearly than most Americans the baleful consequences of long-term occupation.



This latter point is the most salient. The act of picking the next president will be in some ways a statement of America’s view of Iraq. Clinton is running as a centrist Democrat—voting for war, accepting the need for an occupation at least through her first term, while attempting to do triage as practically as possible. Obama is running as the clearer antiwar candidate. At the same time, Obama’s candidacy cannot fairly be cast as a McGovernite revival in tone or substance. He is not opposed to war as such. He is not opposed to the use of unilateral force, either—as demonstrated by his willingness to target al-Qaeda in Pakistan over the objections of the Pakistani government. He does not oppose the idea of democratization in the Muslim world as a general principle or the concept of nation building as such. He is not an isolationist, as his support for the campaign in Afghanistan proves. It is worth recalling the key passages of the speech Obama gave in Chicago on October 2, 2002, five months before the war:




I don’t oppose all wars. And I know that in this crowd today, there is no shortage of patriots, or of patriotism. What I am opposed to is a dumb war. What I am opposed to is a rash war … I know that even a successful war against Iraq will require a U.S. occupation of undetermined length, at undetermined cost, with undetermined consequences. I know that an invasion of Iraq without a clear rationale and without strong international support will only fan the flames of the Middle East, and encourage the worst, rather than best, impulses of the Arab world, and strengthen the recruitment arm of al-Qaeda. I am not opposed to all wars. I’m opposed to dumb wars.



The man who opposed the war for the right reasons is for that reason the potential president with the most flexibility in dealing with it. Clinton is hemmed in by her past and her generation. If she pulls out too quickly, she will fall prey to the usual browbeating from the right—the same theme that has played relentlessly since 1968. If she stays in too long, the antiwar base of her own party, already suspicious of her, will pounce. The Boomer legacy imprisons her—and so it may continue to imprison us. The debate about the war in the next four years needs to be about the practical and difficult choices ahead of us—not about the symbolism or whether it’s a second Vietnam.



A generational divide also separates Clinton and Obama with respect to domestic politics. Clinton grew up saturated in the conflict that still defines American politics. As a liberal, she has spent years in a defensive crouch against triumphant post-Reagan conservatism. The mau-mauing that greeted her health-care plan and the endless nightmares of her husband’s scandals drove her deeper into her political bunker. Her liberalism is warped by what you might call a Political Post-Traumatic Stress Syndrome. Reagan spooked people on the left, especially those, like Clinton, who were interested primarily in winning power. She has internalized what most Democrats of her generation have internalized: They suspect that the majority is not with them, and so some quotient of discretion, fear, or plain deception is required if they are to advance their objectives. And so the less-adept ones seem deceptive, and the more-practiced ones, like Clinton, exhibit the plastic-ness and inauthenticity that still plague her candidacy. She’s hiding her true feelings. We know it, she knows we know it, and there is no way out of it.



Obama, simply by virtue of when he was born, is free of this defensiveness. Strictly speaking, he is at the tail end of the Boomer generation. But he is not of it.




“Partly because my mother, you know, was smack-dab in the middle of the Baby Boom generation,” he told me. “She was only 18 when she had me. So when I think of Baby Boomers, I think of my mother’s generation. And you know, I was too young for the formative period of the ’60s—civil rights, sexual revolution, Vietnam War. Those all sort of passed me by.”



Obama’s mother was, in fact, born only five years earlier than Hillary Clinton. He did not politically come of age during the Vietnam era, and he is simply less afraid of the right wing than Clinton is, because he has emerged on the national stage during a period of conservative decadence and decline. And so, for example, he felt much freer than Clinton to say he was prepared to meet and hold talks with hostile world leaders in his first year in office. He has proposed sweeping middle-class tax cuts and opposed drastic reforms of Social Security, without being tarred as a fiscally reckless liberal. (Of course, such accusations are hard to make after the fiscal performance of today’s “conservatives.”) Even his more conservative positions—like his openness to bombing Pakistan, or his support for merit pay for public-school teachers—do not appear to emerge from a desire or need to credentialize himself with the right. He is among the first Democrats in a generation not to be afraid or ashamed of what they actually believe, which also gives them more freedom to move pragmatically to the right, if necessary. He does not smell, as Clinton does, of political fear.



There are few areas where this Democratic fear is more intense than religion. The crude exploitation of sectarian loyalty and religious zeal by Bush and Rove succeeded in deepening the culture war, to Republican advantage. Again, this played into the divide of the Boomer years—between God-fearing Americans and the peacenik atheist hippies of lore. The Democrats have responded by pretending to a public religiosity that still seems strained. Listening to Hillary Clinton detail her prayer life in public, as she did last spring to a packed house at George Washington University, was at once poignant and repellent. Poignant because her faith may well be genuine; repellent because its Methodist genuineness demands that she not profess it so tackily. But she did. The polls told her to.



Obama, in contrast, opened his soul up in public long before any focus group demanded it. His first book, Dreams From My Father, is a candid, haunting, and supple piece of writing. It was not concocted to solve a political problem (his second, hackneyed book, The Audacity of Hope, filled that niche). It was a genuine display of internal doubt and conflict and sadness. And it reveals Obama as someone whose “complex fate,” to use Ralph Ellison’s term, is to be both believer and doubter, in a world where such complexity is as beleaguered as it is necessary.



This struggle to embrace modernity without abandoning faith falls on one of the fault lines in the modern world. It is arguably the critical fault line, the tectonic rift that is advancing the bloody borders of Islam and the increasingly sectarian boundaries of American politics. As humankind abandons the secular totalitarianisms of the last century and grapples with breakneck technological and scientific discoveries, the appeal of absolutist faith is powerful in both developing and developed countries. It is the latest in a long line of rebukes to liberal modernity—but this rebuke has the deepest roots, the widest appeal, and the attraction that all total solutions to the human predicament proffer. From the doctrinal absolutism of Pope Benedict’s Vatican to the revival of fundamentalist Protestantism in the U.S. and Asia to the attraction for many Muslims of the most extreme and antimodern forms of Islam, the same phenomenon has spread to every culture and place.



You cannot confront the complex challenges of domestic or foreign policy today unless you understand this gulf and its seriousness. You cannot lead the United States without having a foot in both the religious and secular camps. This, surely, is where Bush has failed most profoundly. By aligning himself with the most extreme and basic of religious orientations, he has lost many moderate believers and alienated the secular and agnostic in the West. If you cannot bring the agnostics along in a campaign against religious terrorism, you have a problem.



Here again, Obama, by virtue of generation and accident, bridges this deepening divide. He was brought up in a nonreligious home and converted to Christianity as an adult. But—critically—he is not born-again. His faith—at once real and measured, hot and cool—lives at the center of the American religious experience. It is a modern, intellectual Christianity. “I didn’t have an epiphany,” he explained to me. “What I really did was to take a set of values and ideals that were first instilled in me from my mother, who was, as I have called her in my book, the last of the secular humanists—you know, belief in kindness and empathy and discipline, responsibility—those kinds of values. And I found in the Church a vessel or a repository for those values and a way to connect those values to a larger community and a belief in God and a belief in redemption and mercy and justice … I guess the point is, it continues to be both a spiritual, but also intellectual, journey for me, this issue of faith.”

Goodbye to All That (part IV)

The best speech Obama has ever given was not his famous 2004 convention address, but a June 2007 speech in Connecticut. In it, he described his religious conversion:




One Sunday, I put on one of the few clean jackets I had, and went over to Trinity United Church of Christ on 95th Street on the South Side of Chicago. And I heard Reverend Jeremiah A. Wright deliver a sermon called “The Audacity of Hope.” And during the course of that sermon, he introduced me to someone named Jesus Christ. I learned that my sins could be redeemed. I learned that those things I was too weak to accomplish myself, he would accomplish with me if I placed my trust in him. And in time, I came to see faith as more than just a comfort to the weary or a hedge against death, but rather as an active, palpable agent in the world and in my own life.


It was because of these newfound understandings that I was finally able to walk down the aisle of Trinity one day and affirm my Christian faith. It came about as a choice and not an epiphany. I didn’t fall out in church, as folks sometimes do. The questions I had didn’t magically disappear. The skeptical bent of my mind didn’t suddenly vanish. But kneeling beneath that cross on the South Side, I felt I heard God’s spirit beckoning me. I submitted myself to his will, and dedicated myself to discovering his truth and carrying out his works.



To be able to express this kind of religious conviction without disturbing or alienating the growing phalanx of secular voters, especially on the left, is quite an achievement. As he said in 2006, “Faith doesn’t mean that you don’t have doubts.” To deploy the rhetoric of Evangelicalism while eschewing its occasional anti-intellectualism and hubristic certainty is as rare as it is exhilarating. It is both an intellectual achievement, because Obama has clearly attempted to wrestle a modern Christianity from the encumbrances and anachronisms of its past, and an American achievement, because it was forged in the only American institution where conservative theology and the Democratic Party still communicate: the black church.



And this, of course, is the other element that makes Obama a potentially transformative candidate: race. Here, Obama again finds himself in the center of a complex fate, unwilling to pick sides in a divide that reaches back centuries and appears at times unbridgeable. His appeal to whites is palpable. I have felt it myself. Earlier this fall, I attended an Obama speech in Washington on tax policy that underwhelmed on delivery; his address was wooden, stilted, even tedious. It was only after I left the hotel that it occurred to me that I’d just been bored on tax policy by a national black leader. That I should have been struck by this was born in my own racial stereotypes, of course. But it won me over.



Obama is deeply aware of how he comes across to whites. In a revealing passage in his first book, he recounts how, in adolescence, he defused his white mother’s fears that he was drifting into delinquency. She had marched into his room and demanded to know what was going on. He flashed her “a reassuring smile and patted her hand and told her not to worry.” This, he tells us, was “usually an effective tactic,” because people




were satisfied as long as you were courteous and smiled and made no sudden moves. They were more than satisfied; they were relieved—such a pleasant surprise to find a well-mannered young black man who didn’t seem angry all the time.



And so you have Obama’s campaign for white America: courteous and smiling and with no sudden moves. This may, of course, be one reason for his still-lukewarm support among many African Americans, a large number of whom back a white woman for the presidency. It may also be because African Americans (more than many whites) simply don’t believe that a black man can win the presidency, and so are leery of wasting their vote. And the persistence of race as a divisive, even explosive factor in American life was unmissable the week of Obama’s tax speech. While he was detailing middle-class tax breaks, thousands of activists were preparing to march in Jena, Louisiana, after a series of crude racial incidents had blown up into a polarizing conflict.



Jesse Jackson voiced puzzlement that Obama was not at the forefront of the march. “If I were a candidate, I’d be all over Jena,” he remarked. The South Carolina newspaper The State reported that Jackson said Obama was “acting like he’s white.” Obama didn’t jump into the fray (no sudden moves), but instead issued measured statements on Jena, waiting till a late-September address at Howard University to find his voice. It was simultaneously an endorsement of black identity politics and a distancing from it:




When I’m president, we will no longer accept the false choice between being tough on crime and vigilant in our pursuit of justice. Dr. King said: “It’s not either/or, it’s both/and.” We can have a crime policy that’s both tough and smart. If you’re convicted of a crime involving drugs, of course you should be punished. But let’s not make the punishment for crack cocaine that much more severe than the punishment for powder cocaine when the real difference between the two is the skin color of the people using them. Judges think that’s wrong. Republicans think that’s wrong, Democrats think that’s wrong, and yet it’s been approved by Republican and Democratic presidents because no one has been willing to brave the politics and make it right. That will end when I am president.



Obama’s racial journey makes this kind of both/and politics something more than a matter of political compromise. The paradox of his candidacy is that, as potentially the first African American president in a country founded on slavery, he has taken pains to downplay the racial catharsis his candidacy implies. He knows race is important, and yet he knows that it turns destructive if it becomes the only important thing. In this he again subverts a Boomer paradigm, of black victimology or black conservatism. He is neither Al Sharpton nor Clarence Thomas; neither Julian Bond nor Colin Powell. Nor is he a post-racial figure like Tiger Woods, insofar as he has spent his life trying to reconnect with a black identity his childhood never gave him. Equally, he cannot be a Jesse Jackson. His white mother brought him up to be someone else.



In Dreams From My Father, Obama tells the story of a man with an almost eerily nonracial childhood, who has to learn what racism is, what his own racial identity is, and even what being black in America is. And so Obama’s relationship to the black American experience is as much learned as intuitive. He broke up with a serious early girlfriend in part because she was white. He decided to abandon a post-racial career among the upper-middle classes of the East Coast in order to reengage with the black experience of Chicago’s South Side. It was an act of integration—personal as well as communal—that called him to the work of community organizing.



This restlessness with where he was, this attempt at personal integration, represents both an affirmation of identity politics and a commitment to carving a unique personal identity out of the race, geography, and class he inherited. It yields an identity born of displacement, not rootedness. And there are times, I confess, when Obama’s account of understanding his own racial experience seemed more like that of a gay teen discovering that he lives in two worlds simultaneously than that of a young African American confronting racism for the first time.



And there are also times when Obama’s experience feels more like an immigrant story than a black memoir. His autobiography navigates a new and strange world of an American racial legacy that never quite defined him at his core. He therefore speaks to a complicated and mixed identity—not a simple and alienated one. This may hurt him among some African Americans, who may fail to identify with this fellow with an odd name. Black conservatives, like Shelby Steele, fear he is too deferential to the black establishment. Black leftists worry that he is not beholden at all. But there is no reason why African Americans cannot see the logic of Americanism that Obama also represents, a legacy that is ultimately theirs as well. To be black and white, to have belonged to a nonreligious home and a Christian church, to have attended a majority-Muslim school in Indonesia and a black church in urban Chicago, to be more than one thing and sometimes not fully anything—this is an increasingly common experience for Americans, including many racial minorities. Obama expresses such a conflicted but resilient identity before he even utters a word. And this complexity, with its internal tensions, contradictions, and moods, may increasingly be the main thing all Americans have in common.



None of this, of course, means that Obama will be the president some are dreaming of. His record in high office is sparse; his performances on the campaign trail have been patchy; his chief rival for the nomination, Senator Clinton, has bested him often with her relentless pursuit of the middle ground, her dogged attention to her own failings, and her much-improved speaking skills. At times, she has even managed to appear more inherently likable than the skinny, crabby, and sometimes morose newcomer from Chicago. Clinton’s most surprising asset has been the sense of security she instills. Her husband—and the good feelings that nostalgics retain for his presidency—have buttressed her case. In dangerous times, popular majorities often seek the conservative option, broadly understood.



The paradox is that Hillary makes far more sense if you believe that times are actually pretty good. If you believe that America’s current crisis is not a deep one, if you think that pragmatism alone will be enough to navigate a world on the verge of even more religious warfare, if you believe that today’s ideological polarization is not dangerous, and that what appears dark today is an illusion fostered by the lingering trauma of the Bush presidency, then the argument for Obama is not that strong. Clinton will do. And a Clinton-Giuliani race could be as invigorating as it is utterly predictable.



But if you sense, as I do, that greater danger lies ahead, and that our divisions and recent history have combined to make the American polity and constitutional order increasingly vulnerable, then the calculus of risk changes. Sometimes, when the world is changing rapidly, the greater risk is caution. Close-up in this election campaign, Obama is unlikely. From a distance, he is necessary. At a time when America’s estrangement from the world risks tipping into dangerous imbalance, when a country at war with lethal enemies is also increasingly at war with itself, when humankind’s spiritual yearnings veer between an excess of certainty and an inability to believe anything at all, and when sectarian and racial divides seem as intractable as ever, a man who is a bridge between these worlds may be indispensable.



We may in fact have finally found that bridge to the 21st century that Bill Clinton told us about. Its name is Obama.

Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Pesadelo paralítico

Eu tento dormir e não consigo.
Preciso fugir pro abrigo.
Me esmagam, viro pó: inimigo.
"Nem tudo está perdido,
tudo está perdido..."

Eu quero acordar (não!) -
é impossível.
Trancado em desespero
incapaz de me mover
Vai tudo prum inferno de
fumaça e sem amor eterno
"O passado não existe,
repassados dias tristes"

Eu não sei exatamente
o que é preciso fazer
Eu tento e não consigo,
Preciso de um abrigo
Acordar desse presídio,
Matar o inimigo
"Um transe sem sentido, um esquema inofensivo"

Eu não vou lutar com esses tiros
Defeitos de um passado sangüíneo
Perdido e confundido
Desgraçado e sozinho

Meliante almofadinha
escrevendo um inciso
Condenando sem juízo
um qualquer indeciso

Eu vejo um problema e preciso saber
Quanto custa o pecado, se há venda no mercado
Sem fatura ou compra a prazo.
A enchente continua, a miséria e as putas
Muita raça (vê se escuta!) não desiste dessa luta
Bate no peito, bombeia o sangue

"Ainda estamos todos vivos
No faz-de-conta fictício
Consertando um pedacinho
De cada vez"

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

Criticism capsules

The best we can do as critics is to know our history and know ourselves, and to try and see the redeeming qualities in the mediocre and the timeless qualities in the great. And then to try and explain the opinion that results, and brace for the reaction—which can be the toughest part nowadays.
(Noel Murray in "The Shirk Of The New")

Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Sobre bilhetes amorosos

Hoje eu entreguei uma cartinha de amor
Falando assim, até parece assunto sério.
(Há tanta gente transformando o que é bonito em doença,
chega a dar medo... deve ser por isso que virou tabu)

No fundo é só um bilhetinho à toa
Feito de lembranças gostosas
Que o acaso me deu

Poderia deixá-las guardadas no armário
Junto com tantas histórias
para depois recordar

Por suposto, nenhuma memória
deve ter força para nos magoar
(As que mais intimidam quedam
inertes com o tempo)

Falta ainda responder ao enigma:
Que motivo me leva
A partilhar versinhos de amor?

Talvez seja eu um inveterado cafona
Saudosista das canções de amigo (outrora)
Ou então quis pavonear a beleza de minh'alma (pretensão)
Seria essa uma pequena peça de um cauteloso estratagema
Para consolidar mais afeto a este candidato?

Prefiro acreditar que as coincidências dos astros são lindas
E nada mais me interessa
Além de viver
Feito porta-voz do amor,
E só.

Domingo, 28 de Outubro de 2007

Para muito além do bem e do mal

I

"Eu vivi glórias longínquas que cria longevas."
"O lance é causar na night, chegar chegando e pegar geral!"
"No tempo do -------- era diferente! As crianças tinham educação moral e cívica no colégio."
"Escuta o que eu tou falando... Tá todo mundo mal pago ou desempregado nesse país de merda!"


É o exponencial fluxo de milhares de vozes que devemos escutar
E há que se respeitar as mais diversas trajetórias errantes ou consolidadas
Os devaneios espasmódicos de um ébrio e a angústia calada dos escravos
Pouco sabemos do quanto diferimos se não nos valermos da comunicação

Renúncia, Protesto, Derrota, Inglória, Status, Decência, Fascínio, Estupor
Premissa, Recesso, Escola, História, Estafa, Presença, Martírio, Calor
Ecoam palavras roucas e similares que testam o ouvido do interlocutor
Doce ilusão achar possível se manter incógnito. A presteza inaudita é facilmente percebida pelo inquisidor.

O que há de se fazer com tantos relatos inconsistentes, irremediáveis?

(..cont.)

Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Amor na medida do possível

Como a gente diz para quem pouco conhece
o quanto se sente?
O que se sente, afinal, com relação a
quem pouco se conhece?

É muito fácil ser injusto e
impor necessidades e cobranças
indevidas.

O desafio maior (e mais valoroso)
é perscrutar as emoções guardadas em si
para trazer à baila um discurso limpo,
sin perder la ternura jamás.

Ao revelar as intenções deve-se proceder
com cautela,
sabendo que amor é um campo minado,
com muitos perigos e duas
vítimas em potencial

Gostar, querer bem,
apreciar a companhia de outrem
é o procedimento padrão indicado,
para minimizar os riscos existentes.

Sentir as palavras escorrerem em piloto automático,
num pensar e sentir discreto e preciso...

Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007

Mergers and acquisitions

-- Oi... que coincidência a gente se esbarrar assim do nada, né?

"..."

-- Mas sabe... você é justamente a pessoa esperada para compartilhar o instante presente.

"..."


-- Bom, se a senhorita apreciar poemas de qualidade duvidosa, tenho um aqui recém-saído do forno:

O amor é um delírio insano que te arrebata e desconcerta
Me deixa profundamente perturbado, em êxtase.
Há que se temer então esse sentimento que comove e inspira, mas também nos maltrata

Vivemos no mundo moderno, cheio de pílulas e aviões.
A rotina que anestesia, nos deixa mais e mais frios e calculistas.
Vejo uma planilha nefasta! Mas relevo... Pouco importa o que quer que eu faça.

De forma dinâmica vou otimizando por reducionismos (sem perda de generalidade?!)
que transfiguram sentimento em número real.
O meu amor agora é de caso pensado, feito pesquisa de mercado,
para identificar e depois cativar meu público-alvo.

"NÃÃÃÃÃÃãããããão!"

Não quero saber do lucro máximo, nem de riscos diversificáveis,
Ainda que fosse dono de meu próprio juízo, jamais conseguiria me assenhorar do amor.

Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

o doce amanhã

Após uma agoniante espera de vários meses, esse blog finalmente apresenta a sua raison d'etre. Sim, srtas e srs que lêem (por acaso, por coação do autor ou por curiosidade felina própria) essas linhas, é chegado o momento!

A PRIMEIRA RESENHA

O nome do filme é O Doce Amanhã e fala sobre uma das maiores tragédias humanas: a infância perdida.

Adaptado pelo diretor Atom Egoyan (armênio radicado no Canadá), The Sweet Hereafter é um romance que trata da vida de uma comunidade do Alaska onde um trágico acidente vitima dezenas de criancinhas inocentes.

Acho bom colocar esses finalmentes de forma explícita pois não se trata do tipo de filme que traz uma sensação de conforto (that warm and fuzzy feeling) pelo final feliz de um romance entre dois um homem e uma mulher urbanos, realizados profissionalmente e tudo mais. Definitivamente não é se trata de uma fábula de espuma.

Pois como poderia apresentar um mote tão pleno de desgraça sem suscitar emoções desconfortáveis como ira, decepção, luto e sofrimento?

Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

"Esboço" do álbum Amigo de Fé

Esboço
Cláudio Jorge e Manuel Rui

Há tanto tempo o vento finge seus lamentos
Dos afetos mais discretos
Da lua com o luar
E os teus afetos
Também discretos
Sombra de estrela com vergonha de brilhar
Não falem nada dos segredos e dos medos
Nem dos rumos mais incertos
Com miragem de gritar
São mil projetos
Dos mais concretos
Na intenção de sempre começar

É gota deste traço
Esboço de um abraço
No eco de um deserto perto
Unidos numa voz
Esboço de cantiga
Pra não ficarmos sós no som da vida

Há tanta coisa entre a pauta dos meus dedos
Neste esboço de cantiga
Só tem gente, gente amiga
Com os segredos
De mil degredos
É muita gente para eu cantar

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

"Aurora da minha vida"

Não tenho saudades da infância
dado que não me pertence.
Memórias passam como um filme --
surpresa agradável no festival.
Lembro de três garotos perdidos pela cidade;
via-se tudo pelo olhar do pequeno fascinado
pelas possibilidades de um velocípede.
Seria "eu"? ou não é mais ninguém?
O tempo é distância que nos torna estranhos.
Hoje é um instante que haverá de perder sentido
e vai jazer obsoleto/irrelevante/esquecido
quando o amanhã chegar.

. flávio . .
Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2007

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agora um post scriptum esclarecedor. a idéia inicial era expressar essa sensação que as lembranças trazem... tipo aquele poema "ah que saudade dos meus oito anos...." do Casimiro de Abreu. a historinha lembrada feito filme é um lance de quando eu era um pequenino moleque e vivi a epopéia de toda infância... saímos eu (num velocipede, por suposto), meu irmão e o vizinho (com suas bicicletas de rodinha) em direção ao centro da cidade. ambos os pais ficaram desesperados com o sumiço dos filhos e fomos encontrados lá pro começo da noite em uma pracinha perto de casa, completamente perdidos. e depois só pra ter um pouquinho de filosofice aparece essa discussão sobre o ser e o tempo...

Sábado, 29 de Setembro de 2007

Um anjo no meio da guerra -- Inquérito

Música: Anjo no meio da guerra.
Artista: Inquérito.

Me sinto tipo um anjo no meio da guerra
Um raio de luz sozinho nas trevas

É com você mesmo, a chapa tá fervendo
E uma pá de parceiro eu vi ir pro arrebento
Atrás do sustento escarrando o veneno
A mil derretendo, não tô podendo
Até tento. Conselho, panfleto e nada
Será que é eu que tô lutando de arma errada?
Os manos tudo de quadrada, 380
E o vagabundo aqui só com a consciência
É que eu não quero lutar dessa forma sangrenta
Só que a vida me faz soldado de nascença
Nem pensa, agüenta truta, sem dar fuga
Na guerra a fé é a única armadura
(Aí sem mula ó) Me sinto tipo um anjo no meio da guerra
Um raio de luz sozinho nas trevas
Sabe, que nem uma flor no concreto
Uma árvore sufocada entre os prédios
Mas enxugo as lágrimas
Esqueço o orgulho e lembro do amor
Só que a revolta aqui parece ser que nem um tumor
Vai aonde eu vou, tá em cada pedaço
Dentro do coração tipo um marca passo
Né fácil, não existe paz artificial
Eu planto o amor só que não colho nem a pau
Acho que é porque é igual pé d’uma fruta
Zé povinho sempre arranca antes de tá madura
Já era pra eu ter perdido a cabeça se for ver
Qual será que é o caminho?
Um pente ou um buquê?
Um tambor, uma flor, um botão ou uma mecha
Quem vai ganhar essa hein, as balas ou as pétalas?

[REFRÃO] 2 X
Quando a tristeza invade eu não vejo passagem
A mão de Deus se abre e me dá a chave pra felicidade

Fala com Deus, ora que é o melhor jeito
Liga pro céu o telefone é o joelho
Nunca é tarde pra se arrepender, abre o peito
Quem nasceu pra carregar peso foi camelo
Dinheiro é a lâmpada dos tolos
Uma hora apaga
Meus Deus é a luz do sol que nunca acaba
Esmaga o opressor, aniquila, fulmina
Destrói o inferno, bota o inimigo na palmilha
Entende, ninguém morreu na cruz pra fazer pose
É quente, ele é um só não tem cover
Fácil é andar com cristo no peito, no pingente
Difícil é ter peito pra tá com ele sempre
Bem diferente né, se liga aí
Ele não é rintintim, a bíblia não é gibi
Eu vi uma pá de estrela apagar de um hora pra outra
Por isso que eu prefiro ser que nem lantejoula
À pampa, brilhando pouco bem humildão
Tá bom, no fim toda brasa vai virar carvão
Né não, então espero e relaxo, não tenho pressa
O bom sabe a hora, ninguém morre na véspera

[REFRÃO] 2 X
Quando a tristeza invade eu não vejo passagem
A mão de Deus se abre e me dá a chave pra felicidade

Roubar pode até financiar seu sonho
Só que não dá abraço do pátio nem consolo
Sua mãe contente vale mais que qualquer carro novo
Viver com quem te ama isso sim que é tesouro
Opa, espere um pouco truta, agüenta firme
O pote de ouro tá no fim do arco-íris
Insiste, resiste, não desanima fica de boa
O mano da manjedoura não nasceu à toa
Na cruz correu o sangue no tronco também
A África chorou que nem Jerusalém
Eu tô seguindo o exemplo do tiozinho
Que trampa de porteiro e a noite faz supletivo
Não, não desisto eu ainda to na busca
Da união que eu encontrei só no açúcar
Em punga guerreira, parceira da fé
Maninho diz que tá firmão vai ver tá igual geléia
Esperança me escolta, a fé, meu guarda-costas
O diabo não me afoga, Jesus é minha bóia
Vamo que vamo aí, aos trancos barrancos
DVC em branco aí, isso que é ser malandro

Eu sou um anjo, eu sou um anjo...na guerra.

[REFRÃO] 5X
Quando a tristeza invade eu não vejo passagem
A mão de Deus se abre e me dá a chave pra felicidade.

Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

Para brilhar na primavera cultural carioca...

Segue o link para uma obra de autoria de Renato Alarcão e Alex Koti. Trata-se de um gerador instantâneo de frases cult/cool para serem ditas após aquele filme de 8 horas contando a inefável saga dos pentelhos de um velho armênio (ref. Baleiro e Ramalho in Bienal).

http://www.alexkoti.com/crap

obs: CRAP = Critical Response to the Art Product

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

10 anos de OK Computer

Fica aqui a lembrança da década do lançamento deste impactante álbum britânico. Confesso que tive uma adolescência meio descolada dos modismos culturais, mas o Radiohead conseguiu impressionar mesmo alguém que não tinha nenhum motivo pra gostar da banda. O clipe de Paranoid Android foi o estopim, não entendia necas, mas tinha cara de ser interessante.


It Was 40 10 Years Ago Today: 18 Reasons 1997 Might Be The Next 1967
By Andy Battaglia, Jason Heller, Michaelangelo Matos, Josh Modell, Sean O'Neal, Keith Phipps, Nathan Rabin, Kyle Ryan
September 17th, 2007
1. Radiohead, OK Computer

1967 is rightfully—though overly, especially during its 40th anniversary—revered as a watershed year for pop music: It saw the release of Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Songs Of Leonard Cohen, Are You Experienced?, The Velvet Underground & Nico, Forever Changes, and many other incredible and/or important albums. 1997, though lacking the benefit of as much hindsight, packed a pretty earth-shaking musical punch, too, clearly led by Radiohead's already-canonized OK Computer. Enough ink has been spilled about the album's dystopian outlook and overall concept, sometimes to the point of ignoring the most important element: Every track, from pure pop in wolf's clothing ("Paranoid Android") to experimental animosity ("Fitter Happier") feels exactly right. Everything in its right place, indeed.


Leia o resto da matéria aqui

Domingo, 16 de Setembro de 2007

Felicidade - um registro

Decidi fazer um post-post para este blog que respira por aparelhos... Trata-se de uma simples descrição dos presentes sentimentos. Coisa boba, quase como uma folha avulsa de um diário.


Rio de Janeiro, 16-17 de setembro de 2007

Nos últimos dias tenho me sentido muito bem. Se evito a palavra "felicidade" é tão somente para me distanciar de quem a usa de maneira vazia ou insípida. O escritor Leão Tolstói abre sua obra Ana Karênina com a seguinte frase:
"Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira."

Isso me leva a questionar o sentido de felicidade. Podemos ser felizes por muito tempo? Quais são os precisos instantes em que a felicidade se torna evidente, talvez até passível de constatação analítica? Será que fazer tantas perguntas sobre esse assunto diminui minha chance de ficar 'de bem com a vida'??

Mas eu sou só um economista chato que fica querendo caçar alguma desculpa para aplicar o próprio ferramental teórico... O Senhor Leão está mais do que certo no que escreve. Principalmente por nos apresentar a farsa que é a felicidade duradoura.

Por supuesto não deixa de soar estranho uma família "feliz". Se a mesma existisse, não seria tolerada. Mas será esse um defeito humano? Poderia concordar com os Wachowski, mas acho que tal peculiaridade está longe de ser falha.

Larry e Andy Wachowski (para nossos leitores menos ligados em popnerdices) são os diretores do filme The Matrix, marco cultural nos idos de 1999. Naquele filme a humanidade virou pilha alcalina para robô mas a raça mecânica ainda sente a necessidade de nos contar uma mentira paliativa(venhamos e convenhamos, é uma baita prova de piedade dos nossos binários captores querer inventar uma prisão que ainda serve de representação da alegoria da caverna, mas sigamos...). A parte do filme que me interessa é aquela na qual o Agente Smith afirma a Morpheus que a Matrix atual é a terceira ou vigésima versão e que foi feito um aperfeiçoamento a partir da primeira tentativa fracassada de criar um simulacro para nós, pobres pilhas médias. O raciocínio smithiano é encerrado pela constatação do erro inicial: nenhum humano acreditaria em vidas de mentirinha em que fossem felizes.

Ao ler a última frase percebo um sorriso de esguelha que deve ser creditado ao meu notável bom-humor momentâneo. Ora pois pois! Os robôs realmente tentaram nos trazer o bem, mas nós homo sapiens sapiens malcriados só queremos saber do gosto amargo do fruto proibido. Não deixa de ser divertido tentar imaginar essa "Matrix Prime"... Será que ninguém se machuca, nem tem dor de barriga, nem fica de saco cheio de seus semelhantes? Seríamos todos nós acostumados à letargia monotônica? Robôs conseguem, afinal, definir felicidade eterna de uma maneira satisfatória?

Pois bem, mesmo que tenha perdido um pouco o fio da meada com essa digressão, fico satisfeito com seu conteúdo. O ponto principal é que isso de viver sem ser feliz e ainda ter uma boa dose de ceticismo para com as Polianas do mundo é algo perfeitamente natural. E me parece ser bastante salutar.

Sempre surgem problemas, precisamos cumprir diversas formalidades inúteis (p.ex. respirar) e nunca deixamos de habitar esse nosso invólucro denominado corpo. Alguém que se define "feliz", diz respeito a toda sua existência ou só a uma pequena (e efêmera) fresta intelectual? Mesmo o mais empedernido otimista pode ter suas crenças abaladas por uma seqüência de maus-bocados. Ou então uma doença que leve ao delírio (causada por um micróbio ranzinza) conseguiria cortar o meu joie-de-vivre assim, do nada, sem nem pedir licença.

E é por isso que acho tão difícil afirmar (convicto) que estou feliz. Essa minha felicidade está muito longe daquela que Tolstói menospreza e os Wachowski dizem ser impraticável. Ela é prima-irmã do DEVIR, de HERÁCLITO, da instabilidade como única certeza de fato. Estar feliz é algo puramente contingencial e no fundo é só um grande resumo de um amontoado de sensações físicas e psíquicas que podem me deixar especialmente tolerante numa manhã nublada como esta. A mudarem as condições de temperatura e pressão sempre existe algum risco do bom humor dar a meia volta.

+++++++++++++++++++++++++++++++++++

Algumas ressalvas muito razoáveis

Decerto que existem pré-requisitos para poder sentir essa felicidade que vem e vai como onda. Entendo ser difícil cantarolar alegremente enquanto se vive a agonia da falta de recursos. Existe até um clichê do jornalismo televisivo que se relaciona a isso. No JN (ou no genérico da Record) algumas matérias mais positivas se encerram com o sorriso franco de alguém que vive na pobreza. Confesso que essa manifestação me incomoda sobremaneira. Fica uma sensação ruim, pois parece um gesto desesperado, uma resposta inconsciente a todo aparato que veio registrar sua vida humilde. Demagogia e televisão formam uma mistura particularmente sórdida.

Desejo aos gatos pingados que chegarem até o final deste texto que possam ter também os seus momentos de gratificação. E, acima de tudo, que façam por merecer a doce recompensa que nos traz a felicidade.

Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Nos resta ainda a poeta (há um ano distante...)


E temos ainda Florbela, assim como restam teus poemas. Meras palavras belíssimas, tão companheiras quanto qualquer folha impressa de versos em Arial....

Oposições

Se não houvesse noite
E o dia se tornasse interminável,
Pintaria meu quarto e cerraria portas
Até que a escuridão me envolvesse

Se não houvesse dia
E a noite sitiasse o astro-rei,
Trovaria meu verso messalino e cíclico
Até que a claridade me ouvisse.

Se não houvesse música
E o silêncio estagnasse o ar,
Nutriria meu rosto e entoaria cantos
Até que decibéis me inspirassem.

Se não houvesse silêncio
E a música aviltasse o claustro,
Trancaria meu peito e aboliria sons
Até que a surdez me dominasse.

(F. Lopes, maio de 2003)

Quarta-feira, 4 de Julho de 2007

Ultimate Gwen Stacy's monologue - Brian Michael Bendis

"It's the meteor. How do you think the dinosaurs felt that moment, just before the meteor hit? I mean--they were just, like, standing around and all of a sudden it's like, oh shit, we're extinct. I mean, that's what's going on, right? That's what you're worried about. We're extinct.
All of a sudden it's like if you don't fly--you don't survive. I mean there's, like, a guy now who can walk on walls? What's that about? And now you have to think about that fact every day of your life. The fact that you can't.
But...like, then I think about it like this: I think maybe the difference between us and the dinosaurs is--we know.
They didn't know--they didn't have a chance. But we know there are things in this world more powerful than us. But the real question is: what are us normal people--what are we going to do without powers? But see? What is, like, 'powers' anyhow? This dude right here is stronger than me, does that make him super powered? See?
Cause I have a theory--that, like, whatever you do...is your super power. You play guitar? Football? Math? Whatever you do--whatever makes you--you. That's your power. And I think--I think in this new world you're just going to be forced to do what it is that you do as best you can...or you ain't going to make it.
So maybe you won't ever have, like, mutant powers--all that means is no more sitting on your fat butt watching cartoons. It's all about what you can do that another can't. And I think if we can get into that mindset I don't think there's going to be any problems with all these super power, mutant, spider, goblin people. Because we'll all have super powers."

Sábado, 21 de Abril de 2007

Cidadão Instigado - Silêncio na multidão

Aqui estou eu,há meia hora parado no cruzamento da brigadeiro luiz antonio com a avenida paulista. pensando. simplesmente pensando.

Comprei um refrigerante, tomei um gole, e continuei a pensar. nesse tempo que eu parei aqui tantas pessoas passaram por mim: empresários, mendigos, boys... e até o zé doidim, que eu mesmo reconheci! pessoas com mundos totalmente diferentes, mas que, naquele momento, naquele cruzamento, se cruzaram! interessante, né?!! todos os dias, em vários lugares, milhares de pessoas se cruzam mas não se falam, pois não se conhecem, e nem ao menos se importam com isso.
Eu vejo ali na frente um mendigo barbado. ele simplesmente pára e grita:
- aaaaaaaaahhhhhhhhhh!!! – um grito de liberdade para a multidão, pois ele não agüenta mais viver sozinho na escuridão!

Eu vejo as pessoas que passam por mim, que falam, que ralam, que gritam em agonia e solidão. dói no coração ver meu povo silencioso.

Penso. naquele momento, naquele cruzamento, tanta solidão em movimento.
Olho, para o mendigo em seu lamento, e ainda ouço o eco do seu grito.
Ando, paro e respiro... e fico comigo, confabulando: "será que são apenas corpos vazios? ou será um engano? não. engano, não. eu sinto no ar o silêncio na multidão!"

Eu vejo as pessoas que passam por mim, que falam, que ralam, que gritam em agonia e solidão. dói no coração ver meu povo silencioso.

Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

suspensão temporária

isso aqui já tá parado há algum tempo (esse é o único post de fevereiro), mas tem três bons motivos...

1)microeconomia

2)análise real

3)macroeconomia


mestrado não tá fácil...

Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

comentário sobre a Previdência

quanto à gestão dos recursos públicos é sempre bom ter em mente a ESCOLHA que é feita...

Continuo achando que dada a composição etária da população brasileira é um suicídio gastar tanto com aposentadorias... Entre crianças e velhinhos fico com os primeiros, pois além de serem mais numerosos vão garantir o nosso futuro (ou seja, eu que tenho 22 anos quero ter um país com renda suficientemente elevada para que seja possível ter serviços públicos (ou privados) de qualidade que garantam uma vida madura boa...

Mas paciência... A questão é que realmente é meio esdrúxulo colocar o Ministro da Previdência como responsável pela "rede de cobertura social". Essa atribuição deveria caber ao Patrus Ananias. Após terem sido aprovados os benefícios, ninguém consegue realmente discuti-los e decidir o que é melhor para se fazer com os recursos que nos são arrecados através de tantos impostos.

Domingo, 28 de Janeiro de 2007

uma gotinha de esperança nos alpes suíços

“Nós temos que parar de viajar o mundo chorando a nossa miséria e importando culpados pela nossa desgraça. Muitas vezes, a responsabilidade é nossa”
Luís Inácio Lula da Silva em Davos


[pois é Décio, a frase seria ainda mais histórica se fosse
Nós temos que parar de viajar o mundo (e trabalhar)
às vezes a edição faz toda a diferença...]

Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Primeira rima....

[Normalmente costumo comentar no final, mas dessa vez segue uma explicação. Essa é uma tentativa de rap, que é um gênero musical deveras interessante. Acho que é beeem preliminar esse meu texto, no sentido que pode estar ruim de métrica e de vocabulário, mas mesmo assim... na minha cabeça funcionou razoavelmente bem! Um pouco medíocre mas nào de todo descartável. Óbvio que os caras bons (Black Alien, RZA, Mano Brown, D2, Snoop Dogg, Tupac, etc.) me humilham, mas aí nem tem comparação....]

Boto a banca quebro a tranca,
no veneno e na marra
de uma rima muito franca.
Paz sincera não se manca;
a fé espera, a vida escarra.

Esculacho de polícia
conheci e não é farra,
um pedido de suplício.
"Tu não honra tua farda!"
Rouba o ouro -- sacrifício...
Mais um murro não é difícil
e eu sangrando na calçada.

---------------------------

Morena, me alenta e afaga.
Um sussuro é meu delírio,
depois o beijo e me mata.
Nem pergunta o motivo
que a vida é só desgraça
-- me fudendo p/ PM
se pensa dono desta praça.
Também não sou nenhum cativo,
refém de vício destrutivo.
Não me esmaga a sociedade...

Se antes morto do que vivo
é que não tem mais o sentido
e pra dizer toda verdade
já perdi de sobreaviso
o que tinha desta vida.

Da vitória prometida
só me resta a ferida,
cicatriz após partida.
Nesse mundo só saudade...

Domingo, 21 de Janeiro de 2007

"Só bem pior foi..."


( ) tem dias que são bons
( )        ou pelo menos banais
( ) outros nem tanto assim – bem pior

constatar esse fato em versos não é meritório
       só uma dentre tautologias várias

hoje meio pessimista
       assinalo a terceira opção

o efeito é claro e o motivo tão óbvio

é bobagem chorar e se fazer de vítima
            a saga continua
se a farsa é difícil, paciência
ainda precisamos de sustento




"a vida é caixinha de surpresas"

há um balde de merda e o perigo nefasto
ao que foi consumado nunca voltaremos atrás

perdas e danos, chagas e hematomas
engolimos em seco p/ suportar

      e seguir adiante não sendo passivo

é crime (afinal) a cara fechada?
meu semblante franzido NÃO! vai se explicar

nem o passado nem o futuro garantem
sequer fiapo
      de esperança alvissareira




Acontece...
acontece o relato
um grãozinho de instante
enquanto o firmamento volteia

por tentação e erro
o amanhã é alterado
cada nova lição desamarra
      a história por vir

esse revisionismo pra frente
pouco a pouco
exorciza a desgraça
      identifica o caminho a seguir

faz-se agora a lista santa dos "afasta":




por favor...
      ...me deixa longe do atrito
(mesmo que não saiba adivinhar)

      ...distancia do próximo
            o clamor por conflito
(a cada qual o seu espaço incólume)

      ...telepatiza essa prece
a muitos
       no hoje, no amanhã
e n'outrora

      ...elimina os problemas
me deixa viver a utopia sem risco


...so far away...

Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

Augusta, Angélica e Consolação -- Tom Zé

Augusta, graças a Deus, graças a Deus
Entre você e a Angélica
Eu encontrei a Consolação
Que veio olhar por mim e me deu a mão

Augusta, que saudade
Você era vaidosa, que saudade
E gaastava o meu dinheiro, que saudade
Com roupas importadas e outras bobagens
Angélica, que maldade
Você sempre me deu bolo, que maldade,
E até andava com a roupa, que maldade,
Cheirando a consultório médico,
Angélica,

Augusta, graças a Deus...

Quando eu vi
Que o Largo dos Aflitos
Não era bastante largo
Pra caber minha alição,
Fui morar na Estação da Luz,
Porque estava tudo escuro
Dentro do meu coração

Domingo, 14 de Janeiro de 2007

Merriam-Webster's Word of the day

The Word of the Day for January 13 is:


bluestocking \BLOO-stah-king\ noun

: a woman having intellectual or literary interests

Example sentence:
Now that Aunt Sarah has retired from teaching college English, she fulfills the role of bluestocking by holding literary teas for students at her home.

Did you know?
In mid-18th century England, a group of ladies decided to replace evenings of card playing and idle chatter with "conversation parties," inviting illustrious men of letters to discuss literary and intellectual topics with them. One regular guest was scholar-botanist Benjamin Stillingfleet. His hostesses willingly overlooked his cheap blue worsted stockings (a type disdained by the elite) in order to have the benefit of his lively conversation. Those who considered it inappropriate for women to aspire to learning derisively called the group the "Blue Stocking Society." The women who were the original bluestockings rose above the attempted put-down and adopted the epithet as a name for members of their society.

"o show já terminou"

"o show já terminou"

esgotado e esfaimado
vou consumindo

cansei de bebida
já passou o último trago
e um café não me parece boa idéia

me sinto seco e perdido
sem maiores interesses a dedicar

as próprias palavras se tornam mais tolas

tento ouvir um pouco de música
pro tempo desperdiçar mais rápido

"Ain't got no beef at Taco Bell"

Não lembro exatamente se foi em 2001 ou em 2002 quando ganhei o cd Oppy Music, Vol. 1: Purple Crayon do Chris Opperman,
só sei que não entendia direito as composições repletas de arranjos intrincados (às vezes dissonantes).

Mais adequada a minha compreensão musical adolescente eram as vinhetas. Humphry Boogert e Snot girl promovem uma farsa sobre feminismo enquanto em outro caso o Chris Opperman tem o azar de pegar um atendente melancólico no drive-thru do Taco Bell (de onde vem o título desse post)

é bom espairecer ao som de música boa... influências do zappa, mike kenneally, steve vai e muitas outras coisas... um grande compositor e pianista, com um notável senso de humor

Meu bunker virtual

Este espaço delimitado é o meu bunker virtual

Onde posso ser gigante
Onde posso ser forte
Onde posso ser sincero
Onde posso ser eu mesmo

Mas eu simplesmente quero ser
livre de qualquer amarra e
dizer o que penso e sentir o que sinto
sem remorsos, meias-palavras...
Sequer cautela.

Mas esse é o meu erro,
pois o espaço para ser eu mesmo é delimitado
e o perímetro de segurança fora transgredido.
Por muito pouco -- quase nada --
foi como se eu virasse um bandido.

Se era previsível o 'esculacho'
confesso a minha vã ignorância.
Quem dera se julgar um cidadão de bem
fosse o bastante p/ me proteger.

Pq a PM que eu quero não me faz sentir medo.
Pq (afinal de contas) eu não tenho direito
de querer nada da PM?

A quem quer que seja que possa pedir algo,
por favor, eu imploro e conclamo:
Faça com que ao menos a segurança difira da intimidação.

Que o tempo não seja perdido em torturas inúteis
e o esforço mais digno possa trazer a recompensa mais justa,
pois não há mérito em enquadrar uma pessoa a esmo
sem nem pensar ou ponderar a respeito.

Mas hoje em dia... pra quê pensar ou cogitar um motivo?
Quando o único bônus jaz no exercício
de uma autoridade feito estupro.

Eis-me agora lamentando o instante. Humilhado,
repassando cada momento de livre arbítrio autoritário:
"Quem você é?"
¿E é a minha importância calada que me deixa viver?

Papai do céu, tios e primos do além, por favor me salvem,
pois somente uma carteirada poderá fazer bem.
Temos tantas horas para cobrar honra à farda,
por que não importunar um qualquer alguém?

Essa é a lógica, esses são os incentivos
e a minha única reação imediata é a distância:
Me afasta do conflito, me deixa tranqüilo.
O que mais quero é o meu espaço já delimitado,
porto seguro cheio de amparo, com as palavras lidas a acalentar.

Sigo adiante e fujo da mira,
inexistem mocinhos, aliados ou qualquer um a admirar.
Na ingrata batalha pela segurança pública
só vejo soldados rasos molestando o pouco de paz.
Como se houvesse graça mesquinha
em vilipendiar nobres princípios...
Como se a luta prestasse tão apenas p/ diminuir o próximo.
Como se houvesse conforto ao me humilhar.

Sábado, 13 de Janeiro de 2007

Mudei de planos

Há praticamente um mês
Foi escrito um texto
Confrontando imagens com palavras

Agora pouco importa qualquer registro
Signos e votos NÃO são mais fatografia
Prefiro ouvir sentir e esquecer desarmado

Constatar o processo
sem descrevê-lo

[12.jan.2007 às 21:53 / esse poema tem uma peculiaridade curiosa... cada verso tem pelo menos uma palavra com um encontro consonantal {planos, praticamente descrevê-lo, et al} / e ainda tem um neologismo bem picareta, rss]

Sou culpado...

Sou culpado pois não acho graça
nesse ofício tolo de um economista

Saio da academia desanimado
com a chamada produção intelectual

Olho citações e bibliografia
e encontro muletas apenas

Preparar tabelas e notas de aula
é um esforço digno pois sim

Mas sei lá hoje é um dia estranho
afasto o livro de micro p/ fazer poesia

[ 12.jan.2007 à noite, pouco após 19h15min, no 173 em direção a Humaitá ]

Rammstein -- Seemann (traduzido do alemão)

Sailor

Come in my boat
a storm is rising
and the night is coming
Where do you want to go
(quite alone you are drifting away),
give it up
Who will hold your hand
when it
pulls you under

Where do you want you want to go
So boundless,
the cold sea
Come in my boat,
The wind of autumn
keeps the sails stiff

Now you are standing by the lantern
with tears in your face
The daylight falls to the side
The autumn wind sweeps empty the streets

Now you are standing by the lantern
with tears in your face
The evening light chases the shadows away
Time stands still and fall is coming

Come in my boat
Yearning becomes
the helmsmen
Come in my boat
the best sailor
was I

Now you are standing by the lantern
with tears in your face
You take the fire from the candle
Time stands still and fall is coming

They only spoke of your mother
so merciless is only the night
In the end I'm left alone
The time stands still
and I am cold

[ essa música eu nem sabia que tinha, mas veio no pacote de mp3 que minha mãe juntou qdo ganhei esse pc... só que a versão aqui de casa é um cover da banda apocalyptica acompanhada da Nina Hagen nos vocais. coisa boa, sô! ]

Fiskales Ad-Hok -- Resistiré (I will survive)

Cuando pierda todas las partidas cuando duerma con la soledad,
cuando se me cierren las salidas y la noche no me deje en paz,
cuando sienta miedo del silencio, cuando cueste mantenerse en pie,
cuando se rebelen los recuerdos y me pongan contra la pared.

Resistiré erguido frente a todo, me volveré de hierro para endurecer la piel,]
y aunque los vientos de la vida soplen fuerte, soy como el junco que se dobla pero siempre sigue en pie.]
Resistiré para seguir viviendo y soportaré los golpes y jamas me rendiré]
y aunque los sueños se me rompan en pedazos, resistiré , resistiré.

Cuando el mundo pierda toda magia, cuando mi enemigo sea yo,
cuando me apuñale la nostalgia y no reconozca ni mi voz,
cuando me amenace la locura cuando en mi moneda salga cruz,
cuando el diablo pase la factura o si alguna vez me faltas tú.


Resistiré erguido frente a todo, me volveré de hierro para endurecer la piel,]
y aunque los vientos de la vida soplen fuerte, soy como el junco que se dobla pero siempre sigue en pie.]
Resistiré para seguir viviendo y soportaré los golpes y jamas me rendiré]
y aunque los sueños se me rompan en pedazos, resistiré , resistiré...


{essa letra é uma versão em espanhol do clássico do disco "I will survive", o twist é que essa banda Fiskales toca um punk bem pesado... Lembrei da música por causa do show do Brasov no Humaitá pra peixe}

Nosso ofício

Mais um ciclo se encerrou
Qual o caminho a seguir?

Foram quatro anos de intenso estudo, muitas dúvidas... O que foi construído afinal?

Engraçado que antes de vir p/ Fundação sequer suspeitava da existência de uma teoria que argumenta ser completamente inútil estudar em instituições de renome. O ensino superior por essa ótica não 'agrega' capital humano, apenas sinaliza para os futuros empregadores que você é um indivíduo capaz de se concentrar e fazer planilhas no Excel. Realmente não parece muito alvissareiro tanto cinismo para nossa turma de recém-formandos...

Mas pensando bem, até que não foi tão ruim assim. Se colocarmos essa teoria sob escrutínio veremos que a própria descrição da mesma no parágrafo anterior seria impossível se não tivesse ocorrido a absorção do conhecimento exógeno.

Contradições, provas, lógica... Que mundo estranho é esse em que vivemos ao longo dos últimos anos? Será que conquistamos apenas um comprovante de competência inerente a si? Poderíamos ter realmente aprendido algo da tal economia?

Esse é um dos aspectos mais fascinantes da teoria que nos foi transmitida. Incerteza, informação, crenças, razão, incentivos, expectativas. O futuro é um tiro no escuro e ninguém (até hoje) comprovou possuir a capacidade de prevê-lo de forma clara e consistente. Portanto temos que alimentar esperanças, construir cenários, limitar o risco de perdas e construir.

Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Duas dúvidas encerradas!

Pois bem, na encarnação antiga deste blog (tão novinho e já mudou de identidade...) tiveram dois posts entitulados "Dúvida cruel". Os dilemas banais já foram resolvidos e o curioso é q no fim adotou-se uma outra resposta distinta.

o nome do blog passou a ser o user do msn com os ... transcritos no título. talvez seja mais fácil de lembrar que "supercalifragillistic-expialidocious", rss

quanto à brincadeira do cineclube, as regras agora são outras! existem duas opções de filiação ao sistema de empréstimos de filmes, livros e quetais: os amigos que tiverem lido ao menos um texto ou poema deste escriba se habilitam a serem sócios "gold/premium/superultra/maneiro/gentefina" do Cineclube Frios, enquanto isso aqueles que ainda não foram alugados para ler o que eu escrevi também tem direitos, mas serão atendidos pela ONG "Obra social migalhas de luz" uma entidade assistencialista sem fins lucrativos que busca iluminar a vida de pessoas carentes de bens de consumo cultural.

que venham novas dúvidas, com toda crueldade possível!

Do-it yourself Borat

Esse link aqui tem a versão traduzida automaticamente do blog. Putz eu sei que é meio gimmick esse lance de tradução instantânea e também já evoluimos bastante desde as priscas eras do BabelFish e tradutor do AltaVista, mas enfim, é divertido... e ainda dá para ler com uma voz a la Borat pra aumentar a farra!

Diminuindo um pouco a futilidade, uma anedota que o meu professor de CompSci da Berkner costumava contar...

[extraído do site http://www.kryogenix.org/code/vodka]

Adventures in machine translation

Remember all those old jokes about using computers to translate text into one language and then back into the original? So that you started with “The spirit is strong, but the flesh is weak”, and translated it into and back out of Russian again to be left with “The vodka is good, but the meat is rotten”?

RANT! (resmungando...)

tópico repetido
é a mesma ladainha de sempre...

deve ser a sétima vez q iniciam um tópico sobre esse filme

como dessa vez colocaram um link devem querem fazer propaganda. para manter a sensação de deja vú vou dizer o que disse antes mais uma vez.

o filme é muito bom até um determinado momento em que deixa claro que simplesmente não tem ética nenhuma, chegando a ser criminoso.

pode parecer papo de reaça, mas aquela cena explícita do menino se masturbando é desnecessária, nojenta e sem sentido. pornografia com conteúdo artístico tem é o sabor da melancia que tem um desfecho violento, brutal, mas genial mesmo assim...

sinceramente, acho engraçado pq muita gente adora achincalhar o michael jackson por sua pedofilia, mas esse filme é bem pior pq explora uma criança, burla o ECA e ainda fica fazendo pose de cinema de auteur, ganhador de festival.

na boa, nunca entro em polêmica de orkut e (novamente) o filme seria até bom se não tivesse esse momento ridículo...

p/ encerrar mando um link p/ crítica do cara do omelete q foi o único crítico a não se esquivar desse momento q basicamente define o filme... Eu me lembro (2005) por Érico Borgo


[obs: essa é a transcrição de um post do orkut sobre esse filme]

Standard Temperature and Pressure

”na cidade sangue quente
na cidade maravilha mutante
rio 40 graus
cidade maravilha
purgatório da beleza e do caos”
(Fausto Fawcett)


The words be writ so slow
Inking away through the scorching heat

They say global warming is to blame
Who knows? over Rio it's business as usual

Follow the lines, stay in place
Windy gusts or the breath of fire

An exterminating angel's decree
forbade running out of reach

That's why we melt
and chill...

No one's going anywhere
Weather changing – more of the same

You choice: whine and fight
or the sweet embrace



It be fine to live oh so slow
As long as the ink is running

Who cares about otherworldly questions?
This heat is Rio's business card

Draw the lines and follow the path
Embrace the steamy summer breeze

The city blessed by Lucifer
condemned to seaside marasmo

What choice is there
other than to chill?


[ . flávio . . / 12-jan-2007 13h11min ]

Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

Miragem nublada (ou "Inútil paisagem")

Pausa para um momento de céu

É fácil se perder em palavras
Distraído por benditas tolices

Um contorno dourado de nuvens
No fim do dia somente o braço direito do Cristo

VERÃOZÃO 2007: doce período de contradizer

A musa lasciva pregando censura
A novidade do estudo frenético e pinga da roça
Os gatinhos que não tem mais voz
Essa saudade esquisita que abate

Vi um arco-íris sozinho há pouco
Nem precisei sair na tempestade p/ fumar
Olho a chuva e não acho o bem-te-vi gorducho
Perdido e plangendo em desamparo

[início 10-jan-2007 19h14min / fim 10-jan-2007 19h59min]

Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007

2006 sintético (8 palavras)

"A gente sempre tem alguma coisa
(por perder...)"

Domingo, 31 de Dezembro de 2006

Perícia na delícia - Gustavo Black Alien

"Vamos fazer memórias boas de situações banais"

Dúvida cruel II

Só para já pegar o ritmo! um dia 31-dez adequado para o 2006 em questão: cheio de dúvidas...


TEMA : Nome do sistema de empréstimos de filmes a amigos


mim : Informalmente já se chama Cineclube Frios e vc sabe como vai o ditado: "If it ain't broke..."

MIGO MESMO : Putz, Fala sério! Esse lance de "Frios" é nada ver!! Uma idéia muito mais melhor de bom é chamar de "OBRA SOCIAL MIGALHAS DE LUZ" em homenagem à kombi 171 vista na Dutra.

VEREDITO : É uma coisa meio simples, mas acho que OBRA SOCIAL MIGALHAS DE LUZ dá uma aura de legitimidade irônica a toda organização.

Dúvida cruel

Na falta de leitores, torna-se impossível promover enquetes, portanto inicio essa seção "Dúvida cruel". Esbanjando um pouco de irreverência esquizofrênica, eis aqui duas opiniões distintas sobre o mesmo tema, a primeira atribuída a mim e a segunda a migo mesmo:

TEMA : Título e endereço do site

mim : Deixa do jeito que está agora (("Expialidocious" - )). Até a descrição do site tá levando em consideração a proposta vigente....

MIGO MESMO : Ah, mas isso não tem leitores e nem sentido (além de ser um título monstruosamente longo para um site). Uma proposta muito mais interessante seria algo como (("Mulambo Eu? Mulambo Tu!" - )), a partir da música de Chico Science!

VEREDITO : Sei lá, uai! Fico com um desejo a todos de um Feliz 2007! E que esse ano no fim não tenha sido tão ruim assim... Até a próxima!

Sábado, 30 de Dezembro de 2006

Urbana Legio Omnia Vincit

Estamos seguindo rumo ao final deste fatídico 2006, então por motivos retrospectivos segue a letra de Vento no Litoral e um trechinho de O Descobrimento do Brasil:

"De tarde quero descansar, chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos na mesma direção

Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo

Quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua e se entregar é uma bobagem

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?

- Bem, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos.
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora"



Bueno... a música inteira me (re-)arrebatou há pouco. Foi como se tivesse vendo todo esforço para seguir adiante. Mesmo com a perda, mesmo com a dor e tanta tristeza. Caminhemos, pois não...

E a vida foi seguindo com a lembrança vívida e um questionamento muito peculiar que pode ser evidenciado por esse pequeno trecho da letra de O Descobrimento do Brasil:


"Quem modelou teu rosto ?
Quem viu a tua alma entrando ?
Quem viu a tua alma entrar ?
Quem são teus inimigos ?
Quem é de tua cria ?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança.
Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração ?
Quem está agora ao teu lado ?
Quem para sempre está ?
Quem para sempre estará ?"

Pois bem, estranho encontrar um tipo de diálogo numa letra, mas as perguntas vão se alternando e podem perfeitamente se encaixar numa impossível conversa entre amantes distantes.

As linhas não são muitas, mas realmente dóem, por favor escutem as músicas que fará mais sentido!

Adeus ano velho.... Feliz Ano Novo!

Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

Nonsense no Tocatudo

[Esse texto saiu inusitado... Não me lembro das circunstâncias, mas tá lá, no post sobre a listinha idiossincrática de Paulo Roberto Pires. Segue a transcrição com direito a typos e tudo mais]



POR FAVOR, não nos açoitoe…

Sobreviveremos, mas não incólumes a tantas arbitrariedades…

E esse será teu destino! Conviver com as desgraças sem esmorecer!

Esse será ogrande mérito!

Pensar nos feitos sem atribuir a conquista à pessoa…

E pensar que torço para (em Copacabana) aparecer alguém que nos norteie.

Mesmo que seja em algum botequim sincero. Sem prova dos nove nem garantiçào final…

“Um ano novo e natal feliz, conforme pede a regra!”

Depois disso vamos absolver todos que citarem Caetano Veloso, certo??

É sério! Vamos vitimar quem não for Caetano…!

E nada mais…

¡Arrivederci!



E é isso....

"You're my speaking squad English. We're proud to have, to fight with us at our side."

O que falar de Terra e Liberdade?

"¡La comida es fucking... muy bueno!"

Googleio o título original e muito pouco acho sobre esse clássico de 1995. Land and Freedom, Tierra y Libertad... Tanto faz!

O filme fora caprichosamente lançado ao final da era pré-Internet. A tal rede que se se propõe universal parece ter deixado algumas lacunas a preencher.

(a concluir)

Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

Pra início de conversa...

Bom, pra começar este blog, acho que vale a pena dizer que meu incentivo foi o filme "Poucas e boas" (Sweet and lowdown).

Nesse instante em que começo a escrever já temos uma voraz produtora de letras (Uma Thurman) tentando alavancar a carreira de de Emmet Ray através de sua paixão por personagens intensos. Emmet Ray à época era casado com a tal repórter, cujo nome era Blanche.

Quanto mais se conhecia a respeito da dita moça, mais obscuro se tornava o nosso causo. Talvez Emmet nunca quisesse um caso sério, ou então fora apenas um grande malandro que enganara Hattie de maneira covarde:

Emmet Ray

I used to have a stable of girls in this town…

Blanche

No!

Emmet Ray

I made some money… but whores are (um…) unpredictable. They’re… They’re nuts!

Blanche

Really?

Emmet Ray

Yeah… But money is money…

Blanche

I – I mean, you pimped? You procured?

I can’t stand it! It’s just too perfect!

Emmet Ray

Eh! I don’t like that word…

Blanche

Which?

Emmet Ray

Pimp.

Ah-I was a manager… What’s so perfect?

Blanche

Well, the whole seemy underworld. I mean: The girls I came out with were whores too, only we called them debutantes.

Emmet Ray

Eh, I lived in a whore house once. When I was eighteen, for six months. I didn’t have a job nor money.

The ma’am put me up. She was a friend of my mother’s.

Blanche

I’m sure you learned a lot there!

Emmet Ray

I don’t know. It’s like being a cook:

[When] you’re in the kitchen all day, you don’t want to look at the food.

Blanche

OH!...

I’d love to be a whore for a year. Just a year.

Emmet Ray

Well… if you ever want a manager, well?

Emmet Ray

Oh, look at that beauty!...

Blanche

What is this fascination with trains?

Emmet Ray

What do you mean?

Blanche

Do you have the urge to go off to unknown destinations??

Emmet Ray

For what point?

Blanche

Are you trying to recapture some intangible feeling from childhood?

when you dreamt of glamorous cities just out of reach??

Emmet Ray

I’m not trying to recapture anything from childhood, it stinked.

Blanche

Then I can only think it must be the power of the locomotive,

The sheer and potent sexual energy that arouses your masculinity.

The wheels… the hot furnace, pistons pumping!

Emmet Ray

You sound like you wanna go to bed with the train.”

(Sweet and Lowdown (1999) by Woody Allen)